Turquia insiste com Arábia Saudita para cooperar na investigação do desaparecimento de Jamal Khashoggi

As autoridades turcas afirmam que os sauditas responderam positivamente ao pedido turco para fazer buscas no consulado, onde o jornalista foi visto pela última vez.

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco pediu hoje ao governo da Arábia Saudita que coopere na investigação do desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi e que autorize os investigadores a entrar no consulado saudita em Istambul.

“Ainda não vimos cooperação para que o inquérito decorra com facilidade e tudo seja esclarecido. É isso que queremos ver”, disse o chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu, à agência turca Anadolu.

As autoridades turcas afirmam que os sauditas responderam positivamente ao pedido turco para fazer buscas no consulado, onde o jornalista foi visto pela última vez, mas que as buscas ainda não foram feitas porque as duas partes têm divergências quanto a aspetos específicos.

Segundo o diário turco Sabah, as autoridades sauditas querem que as buscas sejam apenas visuais, enquanto os turcos querem ter a possibilidade de usar substâncias químicas que poderiam revelar vestígios de sangue.

O ministro turco, que falava à margem de uma visita a Londres, instou a Arábia Saudita a deixar “procuradores e peritos entrar no consulado”.

“Onde é que ele desapareceu? Ali, no consulado”, frisou o ministro, acrescentando que há conversações em curso para tentar chegar a um acordo.

Jamal Khashoggi, um jornalista crítico do príncipe herdeiro saudita Mohamed ben Salman que escrevia nomeadamente para o Washington Post, entrou a 02 de outubro no consulado saudita em Istambul, para tratar de assuntos administrativos, e nunca mais foi visto.

Quatro dias depois, fontes da investigação citadas pela imprensa turca afirmaram que o jornalista foi morto no consulado.

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