TV russa difunde testemunho sobre alegada encenação de ataque químico na Síria

A Rússia quer apresentar a reportagem televisiva ao Conselho de Segurança, como prova de que o ataque químico não passou de uma encenação.

Imagem de Divulgação/Idlib Media Center

A televisão pública russa Rossia 24 divulgou esta quarta-feira o testemunho de um rapaz que afirma ter participado numa encenação do presumível ataque químico de 7 de abril contra Douma, na Síria. A entrevista da Rossia 24 ao rapaz foi retransmitida pela quase totalidade dos ‘media’ públicos russos e também pelos canais um pouco por todo o mundo.

A reportagem deixa muitas dúvidas: o rapaz entrevistado parece ser o mesmo que há dias surgiu numa outra reportagem em que aparecia num hospital sendo-lhe lavada a cara com água – supostamente para o livrar dos resultados do ataque químico – sendo que na peça mais recente o jovem não fala em qualquer encenação – pelo menos é isso que surge na tradução usada pelos canais portugueses.

Na reportagem, a Rossia 24 afirma que o rapaz, que identifica como Hassan Diab, um sírio de 11 anos, desempenhou o papel de vítima de ataque químico num vídeo filmado pela ONG de voluntários ‘capacetes brancos’, de onde partiu a denúncia do ataque.

O rapaz não faz qualquer referência a câmaras de filmar no local, mas um homem apresentado como seu pai, Omar Diab, afirmou que “pela participação na filmagem, os combatentes deram tâmaras, bolos e arroz”, referindo-se, na versão portuguesa, não a combatentes, mas a jihadistas.

Entretanto, apareceram imagens de outra reportagem, que os canais portugueses também transmitiram, de uma mãe que relata o ataque químico – mas a tradução é também inconclusiva, dado que a jovem parece estar a falar de algo que só molestou muito superficialmente os seus dois filhos de tenra idade.

No meio desta batalha de reportagens que se afigura inconclusiva, o  embaixador russo junto das Nações Unidas, Vassili Nebenzia, defendeu esta quinta-feira que a primeira entrevista deve ser mostrada na próxima reunião do Conselho de Segurança, como “prova das manipulações” que envolvem o suposto ataque.

O ataque com “gases tóxicos”, imputado às forças do regime de Bashar al-Assad, fez mais de 40 mortos e esteve na origem do ataque dos Estados Unidos, Reino Unido e França contra instalações ligadas à produção e armazenamento de armas químicas.

A Síria nega a autoria do ataque e a Rússia afirma que ele foi encenado com a ajuda de serviços especiais estrangeiros.

 

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