UMinho quer ter papel de relevo na bioeconomia do país

O projeto “EcoAgriFood” visa o desenvolvimento de produtos e processos “verdes” para a indústria agro-alimentar. No espaço de um ano já deu origem a soluções com elevado potencial de utilização.

A população mundial caminha para os 10 mil milhões em 2050 e os recursos naturais continuam a ser finitos. Os desafios são muitos. “É essencial apostar numa economia mais sustentável capaz de conciliar as necessidades em termos de agricultura, segurança alimentar e utilização dos recursos biológicos, garantido simultaneamente a biodiversidade e a proteção do ambiente”, explica Fernanda Cássio, da Escola de Ciências da UMinho, coordenadora geral do projeto (na foto).

O “EcoAgriFood” junta o Centro de Biologia Molecular e Ambiental e o Instituto de Ciência e Inovação para a Bio-Sustentabilidade da UMinho e conta com um financiamento de 1,5 milhões de euros do Portugal 2020. No espaço de um ano, o programa deu já origem a “diversas soluções com elevado potencial de utilização”, realça a instituição.

Por exemplo para controlar pragas em grandes plantações foram desenvolvidos “péptidos antimicrobianos”, inspirados em moléculas existentes em mamíferos, bichos-da-seda e vespas. “Estas pequenas proteínas fazem parte do sistema imunitário e encontram-se em todos os organismos vivos, representando a primeira linha de defesa no combate a invasões por agentes infeciosos”, explica Raúl Machado, um dos 21 investigadores do projeto.

No âmbito do “EcoAgriFood” foi também otimizada a conceção de compostos de valor acrescentado para a indústria alimentar através de fábricas microbianas, um processo “amigo” do ambiente. Esta técnica de produção inovadora permite a obtenção de novos compostos a partir de resíduos ou subprodutos industriais. “Deixamos, assim, de depender tanto de derivados de petróleo, que são muitas vezes a base para a síntese de inúmeros compostos usados nas mais variadas indústrias”, salienta a bióloga Isabel Silva.

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