Ursos dão tréguas mas pessimismo mantém-se

Para hoje estão programados mais anúncios sobre dados económicos relevantes, tanto na Europa, como as vendas a retalho na Alemanha e o PIB em Itália, mas também nos EUA, sobre o consumo privado, inflação e o sentimento dos consumidores norte-americanos.

Lucas Jackson/Reuters

Depois de dois dias seguidos de quedas, a pressão vendedora aliviou ligeiramente permitindo um dia de ganhos reduzidos, mas com muita instabilidade, pouco volume e onde os motivos do pessimismo se mantiveram, nomeadamente a inversão das taxas de juros nos EUA continuou, com as emissões a 10 anos a terem um juro inferior às de 3 meses, bem como a retórica agressiva sobre a guerra comercial se manteve, com o Presidente Trump a referir que as negociações com a China estão a correr bem, o que foi algo contrariado pelo outro lado da mesa, com o ministro chinês dos negócios estrangeiros, Zhang Hanhui, a criticar abertamente a forma como os EUA têm agindo, afirmando que as provocações de Trump e as medidas por si impostas, como o aumento de tarifas, são terrorismo económico.

Apesar da sessão ter iniciado com algum optimismo, em linha com a recuperação no final do dia anterior, o certo é que os ganhos não aguentaram dois movimentos correctivos que levaram mesmos os índices para o vermelho até à entrada para a última hora de negociação, altura em que de novo uma puxada pelos Bulls livrou Wall Street das quedas. Nos sectores do S&P500 destaque para o quarto dia consecutivo de perdas para as utilities, um dos quatro grupos que cederam terreno, liderados na correcção pelas energéticas, que recuaram -1.18% em linha com a desvalorização de -2% do WTI crude para os $57.57 por barril, após uma redução do stock do activo inferior ao esperado.

Ao nível económico os dados não foram animadores, apesar do PIB dos EUA relativo ao primeiro trimestre ter saído dentro das previsões nos 3,1%, é preciso ter em conta que tal foi antes do reacendimento do conflito comercial. Já a inflação continua a dar sinais de não querer subir para o nível desejado pelo FED, com o índice dos preços dos produtos e o core PCE a ficarem aquém das estimativas, podendo sugerir ainda mais espaço para o banco central norte-americano cortar a taxa de juro no curto prazo, ou reiniciar o programa de quantitative easing. Para hoje estão programados mais anúncios sobre dados económicos relevantes, tanto na Europa, como as vendas a retalho na Alemanha e o PIB em Itália, mas também nos EUA, sobre o consumo privado, inflação e o sentimento dos consumidores norte-americanos.

O gráfico de hoje é da UBER, o time-frame é de 1 hora

Os títulos da empresa norte-americana que entrou recentemente para bolsa estão dentro de um canal ligeiramente descendente (linhas azuis), que poderá condicionar o movimento no curto prazo ou dar indicações sobre o próximo sentido que os investidores vão imprimir ao seu preço.

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