Venezuela: Maduro pede ao FBI para investigar atentado

O presidente pede a colaboração da Casa Branca para “desmembrar” grupos “terroristas” a atua na Flórida, zona tradicionalmente habitada por dissidentes sul-americanos.

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O presidente venezuelano Nicolas Maduro disse publicamente que vai aceitar a colaboração de investigações do FBI sobre o ataque com drones de que foi alvo há uma semana durante um desfile da Guarda Nacional, em Caracas. O presidente pediu ao procurador-geral, Tarek William Saab Lade, que “ratifique” a proposta de “cooperação” com a Embaixada dos Estados Unidos na Venezuela.

“Eu concordaria em que o FBI ajude […] a desmembrar as células terroristas que estão na Flórida”, disse. Maduro acusou Osman Delgado Tabosky, que o presidente afirma residir na Flórida, de financiar os drones e de já antes estar envolvido em atividades anti-Venezuela, insistentindo para que o governo de Donald Trump o extradite.

Maduro acusou também o jornalista peruano Jaime Bayly de saber do plano do ataque. “Imagine um jornalista da televisão venezuelana a falar, por exemplo, sobre o assassinato, Deus não permita, do presidente Donald Trump. O que faríamos aqui? A primeira coisa era capturá-lo, e se fosse estrangeiro extraditá-lo-íamos”, acrescentou.

A perseguição contra os adversários políticos intensificou-se após o ataque de há uma semana e o governo exigiu que a Interpol capture Julio Borges, ex-presidente do Parlamento, a viver na Colômbia.

Entretanto, o deputado Juan Requesens foi preso por supostamente participar no atentado, depois de a Assembleia Nacional Constituinte lhe ter levantado a imunidade parlamentar.

Nos Estados Unidos, o secretário de Estado adjunto Francisco Palmieri condenou a prisão do parlamentar. “Maduro e a sua polícia secreta continuam a ignorar o estado de direito com a prisão e detenção ilegal do membro constitucionalmente eleito da Assembleia Nacional Juan Requesens”.

Até ao momento, não houve reação do governo de Donald Trump sobre a proposta de Maduro, mas nada indica que oi presidente norte-americano venha a auxiliar o seu homólogo venezuelano seja de que forma for.

Até porque há uma semana, John Bolton, assessor de segurança nacional da Casa Branca, precisou de esclarecer que o governo dos Estados Unidos não participou no ataque de drones.