IndieLisboa: Viagem alternativa à descoberta do cinema

Lisboa vai ser a capital do cinema independente, por 11 dias. Estão prometidas sessões de jovens promessas e de realizadores consagrados, todos com uma paixão em comum.

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O cinema independente invade Lisboa entre 2 e 14 de maio. O São Jorge, a Culturgest, o Cinema Ideal, a Cinemateca e o Cineteatro Capitólio abrem as portas para receber a 14ª edição do IndieLisboa e fazer palpitar os corações de cinéfilos amadores ou sérios amantes da sétima arte.

Durante 11 dias, filmes portugueses e estrangeiros de diversos géneros, como ficções, documentários, animações, filmes experimentais, entre longas e curtas-metragens, usualmente fora dos grandes circuitos comerciais de distribuição, aproximam-se do público. Entrar no mundo do IndieLisboa é encarar diferentes formas de ver (e filmar) o mundo: o nosso, aquele que está tão perto, ou o outro, distante. Numa programação que contempla diferentes secções, este festival de cinema é como uma viagem ao desconhecido que expande fronteiras e nos confronta, tantas vezes, com a fragilidade de muitas certezas. Ir ao Indie é saber mais sobre o mundo, e sobre nós.

A dificuldade surge na hora da escolha. Numa programação tão vasta, o risco é sempre a indecisão. A secção de competição internacional é composta por primeiras, segundas e terceiras obras, nunca antes mostradas publicamente em Portugal. Foram finalizadas em 2016 ou já este ano. Há para descobrir “Amor, Amor”, de Jorge Cramez, comédia dramática de enganos inspirada num texto de Corneille, em que a acção se concentra apenas num dia, o último do ano. No dia seguinte, só a mudança é possível. Conta com Jaime Freitas, Eduardo Frazão, Ana Moreira e Joana de Verona no elenco. Ou o Brasil político, através de “Arábia”, de Affonso Uchoa e João Dumans, que projetam no grande ecrã o despertar da consciência política de um adolescente na procura interminável por um emprego. Mas há mais, Eduardo Roy Jr. (Filipinas), Song Chung (França/China), Yuri Anacarani (França/Itália/Suíça), Milagros Mumenthaler (Suiça/Argentina/Qatar), entre outros.

Lusoindependentes

Já a competição nacional, reúne longas e curtas metragens portuguesas que têm, na sua maioria, a primeira apresentação mundial no IndieLisboa. “Coração Negro”, de Rosa Coutinho Cabral, tem a ilha do Pico como cenário e um casal que vive entre o medo e o desconforto; “Encontro Silencioso”, de Miguel Clara Vasconcelos, retrata o mundo das sempre polémicas praxes universitárias; Pedro Maia ou Susana de Sousa Dias ou André Valentim Almeida são outros dos nomes a descobrir.

Obras de jovens cineastas e autores consagrados revezam-se. A secção Silvestre é dedicada à dupla Guszta´v Ha´mos e Katja Pratschke, realizadores e curadores do fotofilme e das mu´ltiplas relac¸o~es entre a imagem, a fotografia e o cinema. Há espaço para os realizadores que estão a dar os primeiros passos, na secção Novíssimos.

Numa altura em que se fortalecem movimentos nacionalistas e populistas por todo o mundo, a programação não exclui as questões como a opressão política e económica, e a memória do colonialismo português, presentes no programa Alt-cinema. “Ghost Hunting”, de Raed Ardoni – recebeu o Urso de Prata para melhor documentário no Festival de Berlim –, retrata a história de um palestiniano preso num centro de interrogação em Jerusalém, explorando os interrogatórios a que são sujeitos. Imperdível também é “Karl Marx City”, um regresso às origens da realizadora Petra Epperlein, que é, no fundo, uma reflexão sobre o estado de segurança contemporânea. E “Uma Memória em Três Anos”, de Inadelso Cossa, explora o passado colonial português e as estórias dos que se viram silenciados durante o regime.

Se há secção imperdível é a dos Heróis Independentes. Numa celebração do espírito criativo e carreira de dois cineastas, a homenagem deste recai sobre Jem Cohen e Paul Vecchiali (ver textos nestas páginas).

“A secção Herói Independente é uma secção retrospectiva que homenageia realizadores que trabalharam à margem do seu tempo e que, por isso, representam uma descoberta para a maioria dos espectadores”, explica Mafalda Matos, programadora do IndieLisboa.

Imperdíveis não só os seus filmes, que vão estar disponíveis, mas também poder discutir com ambos o seu trabalho, já que vão estar presentes no festival.

“Programar esta secção dá-nos a oportunidade de contextualizar e dar a conhecer melhor a obra de um autor, pois permite-nos criar um percurso coerente pela sua carreira. É o caso dos dois homenageados do IndieLisboa 2017, Jem Cohen e Paul Vecchiali”, diz Mafalda Matos.

O IndieLisboa alerta os leitores do Jornal Económico: será “certamente uma descoberta inesquecível, possivelmente uma nova ordem de prioridades, quem sabe até um abalo nas convicções estéticas e ideológica”.

(Artigo publicado na edição impressa de 28 de abril)

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