Vitória de Costa na ‘mini-crise’ deve beneficiar juros e ‘rating’, diz Bankinter

António Costa saiu vencedor da mini-crise política e os resultados devem ser a melhoria da taxa de juros da dívida portuguesa, inclusive uma eventual vantagem face à equivalente espanhola, e uma decisão positiva da Fitch sobre a notação soberana na próxima semana, diz o banco espanhol.

Carlos Barroso / Lusa

O Partido Socialista de António Costa saiu reforçado da recente ‘mini-crise política’ em torno das carreiras dos professores, o que deverá reduzir a instabilidade política em ano eleitoral e contribuir para que a taxa de dívida benchmark portuguesa desça para abaixo da par espanhola, nos próximos meses, antevê o Bankinter.

O banco espanhol explica que existe uma diminuição da probabilidade de instabilidade política em torno das eleições de outubro, o que beneficia o spread português, ou seja, o diferencial entre a taxa de juros da obrigações portuguesas a 10 anos no mercado secundário e a equivalente alemã, vista como a referência na zona euro.

“O ‘finca-pé’ de António Costa em relação aos salários dos professores reforçou o rigor orçamental do atual Governo, inclusive em ano eleitoral, com um compromisso de manter as contas do país controladas e diminuir a elevada dívida pública”, destaca.

“O que parece estar agora em jogo já não é tanto a sobrevivência da atual coligação, mas sim se o PS vai governar sozinho ou com um menor número de partidos. Tendo em conta o compromisso orçamental do PS, o mercado deveria descontar positivamente o primeiro cenário, com uma maior procura por obrigações portuguesas”, consideram.

O Bankinter sublinha que “o spread de risco nacional irá situar-se em linha, ou até mesmo abaixo, do espanhol ao longo dos próximos meses (atualmente 123 pontos base vs 106 pontos base)”.

Fitch poderá melhorar outlook para positivo

A Fitch avalia o rating soberano de Portugal na sexta-feira, dia 24 de maio, e os analistas do Bankinter antecipam a possibilidade da agência de notação financeira subir o outlook para positivo.

“Não descartamos uma subida do rating da dívida portuguesa para BBB+ (vs BBB atual), no entanto o nosso cenário central é uma melhoria do outlook para positivo (de neutro), o que abriria as portas a uma eventual revisão em alta em novembro, uma vez superadas as eleições legislativas”, referem.

O Bankinter destaca que desde a última avaliação da Fitch, em novembro, a economia portuguesa teve uma performance “melhor do que o esperada”, à boleia do consumo privado.

“Se isto será ou não suficiente para que a Fitch melhore o rating já este mês, vai depender da sua perceção sobre o risco político do país, que enfrenta eleições legislativas em outubro. Recordamos que a Fitch já previu anteriormente uma vitória do atual Governo nas eleições”, destaca.

“Tendo em conta os últimos acontecimentos, deveria agora reforçar ainda mais essa perspetiva. Uma melhoria do outlook ou até mesmo uma subida do rating no próximo dia 24 de maio aceleraria a convergência do spread português ao espanhol”.

Ler mais
Relacionadas

Ausência de “ruído” político vai manter juros da dívida portuguesa em queda, prevê Bankinter

Equipa de análise de mercados financeiros do Bankinter aponta para a resiliência da atividade económica em Portugal, a “previsibilidade” política e a “procura por rentabilidade positiva no mercado de obrigações soberanas europeias”. O ‘spread’ de risco da dívida portuguesa poderá mesmo ficar abaixo do equivalente espanhol.
Recomendadas

Berardo: Bens pessoais de empresário estão na mira da justiça

Ações, títulos, depósitos e participações não bastam para liquidar dívida. Penhorar património pessoal de Berardo poderá ser a solução.

Amazon: ações podem chegar aos três mil dólares nos próximos dois anos, estima Bloomberg

A avaliação de três mil dólares por título implica uma capitalização bolsista de 1,47 mil milhões de dólares (1,31 mil milhões de euros).

As cidades com os táxis mais caros (e mais baratos) do mundo

O Deutsche Bank fez uma pesquisa onde elenca 55 cidades e os respetivos preços médios para utilizar o táxi. Lisboa está em 34.º lugar de uma lista que coloca Zurique no primeiro lugar e Amesterdão em segundo.
Comentários