Wall Street abre em alta a focar resultados em vez da Síria

Apesar de o conflito na Síria estar a passar ao lado das ações, levou as yields das Treasuries norte-americanas a 10 anos para o valor mais elevado em quase uma década. Os juros das Obrigações sobem 2,39 pontos base para 2,85%.

Crash de 25% em Wall Street

As principais bolsas norte-americanas começaram a semana com ganhos, apesar dos acontecimentos no fim de semana. Na madrugada de sábado, os Estados Unidos, França e Reino Unido bombardearam a Síria, naquela que foi a maior intervenção de países ocidentais contra o regime de Bashar al-Assad e a Rússia, o maior aliado.

Os ataques faziam crer que as bolsas iriam ser penalizadas esta segunda-feira, o que aconteceu no início da sessão na Europa. No entanto, as praças europeias começaram a inverter a tendência e, na abertura de Wall Street, as ações norte-americanas negoceiam com ganhos.

“A ação foi muito bem recebida e isso está a dar a oportunidade aos investidores de se focaram nas notícias macroeconómicas e nos resultados”, explicou o economista-chefe de mercados da Spartan Capital Securities, Peter Cardillo, em declarações à agência Reuters.

“Não será negativo a menos que se torne num grande conflito. Será um dia em que os mercados vão tentar ultrapassar essa questão”, acrescentou.

Em Wall Street, o índice industrial Dow Jones avança 0,55% para 24.494,10 pontos, enquanto o financeiro S&P 500 sobe 0,64% para 2.673,32 pontos e o tecnológico Nasdaq ganha 0,23% para 7.123,18 pontos.

A banca está em destaque, depois de uma série de resultados apresentados na sexta-feira, que levaram a tombos do setor. Dos três bancos que apresentaram resultados do primeiro trimestre, apenas um recupera após terem caído em bolsa entre 1,5% e 3%, na última sessão. O JP Morgan ganha 0,35%, o Citigroup perde 0,46% e o Wells Fargo recua 0,81%. Ainda assim, o índice KBW que reúne os grandes bancos, sobe 0,37.

Os analistas consultados pela agência Reuters esperam que, nesta época de resultados, as empresas do S&P 500 registem uma subida dos lucros de 18,6%, a maior em sete anos.

Apesar de o conflito na Síria estar a passar ao lado das ações, levou as yields das Treasuries norte-americanas a 10 anos para o valor mais elevado em quase uma década. Os juros das Obrigações sobem 2,39 pontos base para 2,85%. A moeda norte-americana deprecia-se 0,42% face ao euro para 1,238 dólares.

No mercado petrolífero, o preço do barril de crude WTI cai 1,20% para 66,58 dólares em Nova Iorque, enquanto o Brent recua 1,06% para 71,81 dólares, em Londres. “Estamos a assistir a uma subida nas yields e um recuo no petróleo, o que deverá restringir uma reação forte aos resultados e dados macroeconómicos”, referiu ainda Cardillo.