Wall Street inicia semana com perdas com economia chinesa a penalizar

Há dois anos que as exportações chinesas não caíam tanto, mas ainda assim o excedente comercial da China atingiu um ponto recorde, o que poderá levar Trump a adoptar uma postura mais dura nas negociações com a China. Nos EUA, as ações das empresas dependentes do mercado chinês estão a desvalorizar.

A trader wears glasses that say “2017” ahead of the new year on the floor of the New York Stock Exchange (NYSE) in Manhattan, New York City, U.S., December 30, 2016. REUTERS/Stephen Yang

É o resultado da globalização dos mercados financeiros em ação. Os mais recentes dados económicos sobre o desempenho da economia chinesa, a segunda maior do mundo, estão a penalizar o sentimento dos investidores em Nova Iorque. Há dois anos que as exportações chinesas não caíam tanto. É possível que o crescimento económico mundial arrefeça mais do que o esperado, o que poderá ter impacto nos lucros das empresas, noticia a agência Reuters.

Os três principais índices da bolsa Nova Iorque estão a negociar em terreno negativo. O S&P 500 está a recuar 0,93%, para 2.572,18 pontos; o tecnológico Nasdaq está a cair 1,11%, para 6.528,28 pontos; e o industrial Dow Jones está a desvalorizar 0,82%, para 21.800,26 pontos.

As tarifas norte-americanas sobre os produtos chineses estão a ter impacto na economia chinesa, o que levou a Apple a emitir um profit warning há cerca de duas semanas. Mas os recentes dados económicos também demonstraram que a China atingiu um recorde no que diz respeito ao excedente comercial com os EUA, o que poderá levar a que o presidente norte-americano, Donald Trump, adopte uma postura mais dura nas negociações com a China com vista a um acordo comercial.

O risco para os investidores em Nova Iorque está a assim a aumentar, contrastando com o sentimento positivo vivido na semana passada, depois de notícias animadoras sobre as negociações entre os EUA e a China, em Pequim, a capital chinesa.

Destaque a PG&E, a maior fornecedora de energia no estado da Califórnia, com cerca de 9,7 milhões de clientes, anunciou que vai entrar em falência, cujo processo deverá ser apresentado até ao dia 29 de janeiro. As ações tombaram 47,6%. Segundo a agência Reuters, a empresa está em negociações para obter financiamento para cobrir as despesas operacionais no valor de 5,5 mil milhões de euros. Segundo o balanço da PG&E, a empresa tem 1,5 mil milhões de dólares disponíveis no banco.

Cerca de 35 empresas que integram o índice S&P 500 vão apresentar os resultados relativos ao quarto trimestre de 2018. O banco norte-americano Citigroup, apresentou os resultados antes da abertura desta segunda-feira, e ficaram abaixo das expectativas. O terceiro maior banco norte-americano, em termos de ativos, registou 17,1 mil milhões de dólares em receitas (14,95 mil milhões de euros), cerca de 2,29% abaixo do estimado. O CEO do Citigroup, Michael Corbat, justificou os resultados do banco com “a volatilidade do quatro trimestre” do ano 2018, segundo a agência Reuters. Mas as ações do Citigroup estão em terreno positivo, ganhando 1,78%.

Entre as empresas chinesas listadas em Wall Street, destaque para a de 2,43% queda da Alibaba, fundada por Jack Ma. Também as ações da JD Com estão a afundar 4,98%.

Também as fabricantes de chips, que são altamente dependentes do mercado chinês, que é o maior do mundo em dispositivos móveis, por exemplo, estão a passar por um mau momento. A Qualcomm está a perder 1,73%, a Advanced Micro Devices está a recuar 0,79%, e a Micron Technology está a desvalorizar 3,60%.

Nas matérias-primas, o petróleo está a desvalorizar. Em Londres, o Brent é negociado, a referência para o mercado europeu está a cair 0,51%, para 60,17 dólares. Nos EUA, o West Texas Intermediate, está a cair 0,70%, para 51,23 dólares.

 

 

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