Altice Europe elogia desempenho da operação portuguesa e reitera descontentamento com atuação da Anacom no 5G

“Portugal teve um ano muito bom, tanto nos indicadores-chave como em termos financeiros”, afirmou Dennis Okhuijsen, o conselheiro da administração do grupo liderado por Patrick Drahi em conversa com analistas sobre as contas reveladas esta terça-feira.

Patrick Drahi, fundador e principal acionista do grupo Altice, acompanhado por Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal | Cristina Bernardo

A Altice Europe, grupo em que se insere a Altice Portugal, manifestou esta terça-feira satisfação com o desempenho da operação portuguesa em 2020, apesar do contexto pandémico e do clima de tensão com o regulador sectorial. Considerando ter sido dada uma prova de resiliência no ano pandémico, o grupo vê hoje mais “potencial de crescimento” da Altice Portugal.

“Portugal teve um ano muito bom, tanto nos indicadores-chave como em termos financeiros”, afirmou Dennis Okhuijsen, conselheiro da administração do grupo liderado por Patrick Drahi e antigo administrador financeiro da Altice Europe, numa conferência telefónica com analistas de mercado sobre as contas de 2020. Os resultados anuais foram divulgados esta terça-feira de manhã, com a Altice Portugal a fechar o ano com um crescimento de receitas.

Questionado pelos analistas sobre perspetivas futuras da Altice Europe, Dennis Okhuijsen afirmou que, apesar de o grupo sentir que o potencial da operação francesa “era maior” há cerca de dois anos, hoje, tendo em conta que “a maior parte dos ativos continuam em Portugal”, a capacidade da operação portuguesa evidencia-se mais.

“No ecossistema europeu de telecomunicações, Portugal esteve muito bem no último ano”, reforçou o conselheiro de Patrick Drahi, frisando que apesar da diminuição das receitas de roaming, a Altice Portugal “continuou a crescer em todos os segmentos”.

O principal conselheiro da Altice Europe e o atual administrador financeiro, Malo Corbin, que acompanhou Okhuijsen na conversa com analistas, foram repetidamente questionados sobre o leilão de frequências em Portugal, que decorre há 53 dias e incide também sobre as faixas relevantes à quinta geração da rede móvel (5G). Ambos recusaram entrar em detalhar eventuais avanços da dona da Meo, uma vez que o leilão ainda decorre.

Contudo, Okhuijsen reiterou o posicionamento já assumido pelo grupo, em novembro de 2020. “Portugal assumiu a liderança no rollout [lançamento]  de novas tecnologias, na Europa, sobretudo no 4G e na rede fibra de ótica. Nessa altura havia um bom enquadramento regulatório e competição entre players sofisticados. O regulador está a tentar tomar medidas contra esse enquadramento, que beneficiou os players e os consumidores, em Portugal. Não estamos mesmo nada contentes com essas medidas [decorrentes do leilão], mas futuramente anunciaremos como vamos prosseguir [em Portugal]”, concluiu.

Sem entrar em pormenores específicos sobre cada um dos mercados, Okhuijsen garantiu, ainda, aos analistas que a estratégia de diversificação de portefólio da Altice Europe vai continuar.

Ler mais
Relacionadas

Receitas da Altice Portugal crescem 0,5% para 2,12 mil milhões de euros em 2020

Altice Portugal diz que o controlo dos custos e o “contínuo aumento da base de clientes e de serviços” em ano pandémico permitiu aumentar os proveitos. Na mensagem que acompanha a divulgação dos números, o CEO da Altice volta a acusar a Anacom de criar um ambiente “hostil”.
Recomendadas

Apritel afrima que Portugal está “na liderança da descida de preços nos pacotes” de comunicações

A associação aponta que “mais uma vez o preço das comunicações desce mais em Portugal do que na Europa” e que o país está “na liderança da descida de preços nos pacotes de comunicações”, subscritos por 88% das famílias portuguesas.

Portugal respondeu a Bruxelas sobre atraso na adoção de diretiva das telecomunicações dez dias depois do prazo

A Comissão Europeia está agora a avaliar os argumentos apresentados por Portugal para explicar o atraso na adoção da diretiva europeia. Dos 24 Estados-membro alvo de um processo de infração apenas a Dinamarca concluiu a transposição. Há 15 países na mesma situação que Portugal.

Transportes ferroviários e alfândegas são os principais obstáculos ao desenvolvimento do sector logístico em Portugal

“Relativamente à utilização dos diferentes modos de transporte, continua a verificar-se uma forte dependência do transporte rodoviário, com impactos negativos ao nível da sustentabilidade ambiental”, destaca, em exclusivo ao Jornal Económico, Raul de Magalhães, presidente da Aplog, referindo-se a um das conclusões do estudo feito em parceria com a consultora KPMG.
Comentários