Número de insolvências aumenta 12% até novembro

No passado foram constituídas em Portugal 2.796 novas empresas, um recuo de 23% face ao mesmo período de 2019. Só o comércio online regista crescimento de novas empresas no país no período compreendido entre janeiro e novembro.

Entre junho e o final de novembro, nasceram 338 empresas de comércio a retalho por correspondência ou via internet, quase o dobro face ao mesmo período do ano anterior (+91%). Os números demonstram que o retalho é o único sector que mantém um crescimento na constituição de novas empresas desde o verão deste ano face ao período homólogo de 2019, de acordo com o barómetro da Informa D&B.

Segundo a D&B, a subida deve-se às novas empresas de comércio a retalho por correspondência ou via internet. Até 30 de novembro, todos os restantes setores apresentam uma descida na constituição de novas empresas face aos mesmo períodos de 2019.

No passado mês de novembro foram constituídas em Portugal 2.796 novas empresas, um recuo de 23% face ao mesmo período de 2019. Numa análise quinzenal, este número está a revelar uma grande sensibilidade aos números da pandemia. As novas empresas tiveram uma quebra abrupta em março e abril, logo após a declaração do primeiro estado de emergência. Após alguma recuperação durante o verão, o número de novas empresas voltou a cair a partir da segunda quinzena de setembro. Desde o início do ano, nasceram 34.549 empresas, menos 25% do que em 2019, ano onde se registou um recorde neste indicador.

Outra das conclusões do barómetro, prende-se com os atrasos nos pagamentos a fornecedores onde, no último mês, o atraso médio aumentou de 27,1 para 27,4 dias. Esta tendência incide especialmente sobre as empresas mais sensíveis à pandemia de Covid-19, como no caso do setor do Alojamento e Restauração, que neste período já aumentou em mais de uma semana (+7,6 dias) os atrasos de pagamento com os seus fornecedores, sendo atualmente de 37,4 dias.

O número de insolvências também aumentou. Depois da descida do número de novas insolvências registada nos meses de março a maio, desde junho até 30 de novembro as novas insolvências (+12%) mostram tendências semelhantes às dos dois primeiros meses do ano (+11%), meses anteriores ao início do primeiro estado de emergência.

Neste período, os valores são semelhantes aos do ano passado na maioria dos setores de atividade, mas com alguns setores a apresentar já uma subida dos novos processos de insolvência. Também aqui, o setor do é dos mais afetados, registando 271 novos casos desde janeiro, mais 98 casos que no período homólogo de 2019. Ainda assim, as Indústrias mantêm-se como o setor com maior número de casos de novas insolvências (556 casos desde janeiro). Desde o início do ano registaram-se 2.134 novas insolvências, mais 5,4% que em 2019.

Nos 11 meses do ano, encerraram 11.462 empresas, menos 19% que no período homólogo. O setor dos Transportes é o único a registar um aumento ligeiro de encerramentos que se deve às empresas de transporte ocasional de passageiros em veículos ligeiros. É provável que os valores relativos aos encerramentos, bem como os das insolvências, não sejam ainda um retrato fiel das tendências, afirma o D&B. Para além da morosidade que estes fenómenos podem envolver, a situação de muitas empresas poderá estar a ser mitigada pelas medidas de apoio entretanto adoptadas.

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