Responsável do Bankinter Portugal defende medidas de capitalização das empresas após moratórias

“É natural que o impacto da segunda fase de confinamento provoque uma degradação do quadro macroeconómico, e como tal aumente o risco de crédito e faça subir o rácio de morosidade. Mas a solidez do banco permite acomodar uma subida”, disse Alberto Ramos que defendeu que depois do final das moratórias “alguma coisa terá de ser feita para apoiar as empresas viáveis e as famílias”.

O Bankinter Portugal, que tem como country manager Alberto Ramos, apresentou a sua atividade durante 2020, marcada pela crise pandémica, num ano em que completa cinco anos desde a aquisição da área do retalho do Barclays, em 2016.

Os resultados antes de impostos da sucursal foram de 45,1 milhões de euros, o que representa 14% dos resultados antes de impostos do Grupo Bankinter. O resultado antes de impostos em 2020 traduz uma queda de 31% face aos lucros de 65,6 milhões em 2019.

Em videoconferência, o responsável pela sucursal em Portugal anunciou um aumento de 6,3% do volume de negócios para 15,6 mil milhões de euros, o que eleva a subida do volume de negócios em Portugal, desde abril de 2016 (data em que entraram no mercado português), para 50%.

O crédito total subiu 7,1% em 2020, para 6,9 mil milhões, diz o Bankinter Portugal. Em termos de qualidade da carteira de crédito, o custo do risco de crédito em Portugal fixou-se em 0,07% o que compara com -0,54% em 2019, ano em que a instituição libertou imparidades.

Segundo o banco, o peso das novas imparidades para crédito no stock da carteira é abaixo da média de mercado que é de 0,9% (dados de junho).

O Bankinter Portugal constituiu 9,5 milhões de euros de provisões para crédito em 2020, dos quais 2,5 milhões relacionados com a pandemia. Na comparação com 2019, onde houve libertação de provisões, verifica-se uma evolução de -38,6 milhões de euros.

O rácio de morosidade (NPL – Non Performing Loans) em Portugal  é de 2,14%, o que compara com 5,5% (dados de junho) e o rácio de cobertura é de 77% (-1,52 pontos percentuais face a dezembro), mais do que os 53,1% da média do mercado português (dados junho).

A carteira de crédito em incumprimento caiu 5% para 150 milhões de euros e o rácio de mora caiu 0,3 pontos percentuais.

“É natural que o impacto da segunda fase de confinamento provoque uma degradação do quadro macroeconómico, e como tal aumente o risco, e suba o rácio de morosidade. Mas a solidez do banco permite acomodar uma subida”, disse Alberto Ramos, que defendeu que depois do final das moratórias “alguma coisa terá de ser feita para apoiar as empresas viáveis e as famílias”.

O banco tem 18% do crédito a empresas em regime de moratória (são 4.528 contratos que somam 426 milhões de euros).

No crédito à habitação em moratória o Bankinter Portugal tem 6.703 contratos que somam 589 milhões de euros. Já no crédito ao consumo, Bankinter Consumer Finance tem 3.318 contratos referente a 39 milhões de euros.

O crédito às famílias em regime de moratória até setembro de 2021 representa 13% do total da carteira. Quer no crédito a empresas quer no crédito a particulares, o peso das moratórias no total da carteira está abaixo da média do mercado.

No total o banco tem em dezembro de 2020 14.549 contratos de crédito em regime de moratória o que soma 1.054 milhões de euros, ou seja 15% do total da carteira de crédito.

No entanto o prazo para adesão às moratórias ainda está a decorrer até fim de março.

A este propósito, Alberto Ramos, quando questionado sobre se o prazo de duração das moratórias deve ser estendido para lá de setembro de 2021, dado o novo confinamento económico, defendeu que sim, que o prazo do fim das moratórias deve ser revisto “sobretudo em sectores mais atingidos pelo confinamento”. Mas também defendeu a adopção de soluções para capitalizar as empresas no período pós-moratórias e defendeu ainda medidas de apoio também às famílias.

Numa entrevista ao Jornal Económico, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos defendeu também a extensão das moratórias para lá de setembro também para os sectores que estão encerrados por causa da pandemia.

Ao nível da conta de resultados, a margem bruta de negócio totalizou 142,9 milhões de euros, o que traduz uma subida de 13% face a 2019. Dos quais 14% foi a subida da margem financeira (para 84,6 milhões). As comissões subiram 10% e deram um contributo de 41% para a margem bruta do negócio.

Os custos operativos caíram 3% face a 2019 (para 83,5 milhões) apesar de em termos líquidos o banco ter crescido o quadro de pessoal em nove pessoas (têm agora para 770 colaboradores). O banco aumentou o número de pessoas em contraciclo com o mercado que está a desencadear um forte processo de redução de pessoal. O Bankinter justifica a subida do número de colaboradores com crescimento do volume de negócios e admite manter o mesmo ritmo de crescimento em 2021, apesar do agravamento macroeconómico, decorrente das novas vagas da pandemia.

Os custos globais caíram devido à eficiência operativa, disse o country manager, referindo-se à digitalização e à eficiência comercial.

O cost-to-income da sucursal ainda está, no entanto, em 62%.

O banco em Portugal reportou um crescimento de 9% do número de clientes para 243, nas várias áreas (banca comercial, banca de empresas e consumer finance).

O Bankinter Consumer Finance viu o número de clientes subir 9% para 131 mil, mas a produção de crédito caiu 31% (71 milhões de euros) em 2020.

O private banking cresceu 44% num ano para um património dos clientes sob gestão de 2,6 mil milhões de euros (4.019 clientes), devido em parte à ressegmentação dos clientes premier).

A carteira de crédito à habitação subiu 4% para 4,3 mil milhões de euros e as contas com domiciliação do ordenado subiram 8%.

A carteira de crédito a empresas subiu 14% face a 2019 para 2,1 mil milhões de euros.

Ainda em termos de balanço, o banco em Portugal reporta 3,6% de subida de recursos de clientes em 2020 para 4,8 mil milhões de euros, dos quais 3,8 mil milhões fora do balanço (+8,5%).

Os fundos de investimento subiram 10% para 1.002 milhões de euros e os instrumentos de renda variável cresceram 32% para 419 milhões.

No global, o negócio de banca comercial representa ainda 55% do volume de negócios, a banca de empresas 29% e o consumer finance 16%.

Os resultados antes de impostos do Grupo Bankinter com sede em Madrid caíram 42% para 317 milhões de euros, e a sucursal do banco espanhol reporta uma rentabilidade dos capitais próprios (ROE) de 7%. O banco em Portugal contribuiu com 14% para o resultado antes de impostos da casa mãe.

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