Não podia ter sido melhor o momento para iniciar esta colaboração com o Jornal Económico. Permite-me, o momento que atravessamos, escrever este primeiro artigo sobre os princípios fundadores da representação democrática que estão na génese das políticas públicas.
Não há políticas públicas sem representação política. O mesmo equivale a dizer que não há resolução dos problemas concretos das vidas das pessoas sem políticos.
E que políticos servem melhor os interesses do País? Não coloco a questão do ponto de vista ideológico ou partidário. Coloco do ponto de vista do perfil, do percurso e do trajeto.
A questão, hoje, tem particular acuidade.
Quero ser claro. Do meu ponto de vista, a política sai mais valorizada se for exercida por cidadãos livres, independentes de interesses, capazes de dizer não a pressões ou a diretórios partidários porque têm vida para lá das funções que a cada momento exercem. O conhecimento da vida empresarial, da economia real, o pagar salários ao final do mês ou receber ordens e instruções de uma entidade patronal permite a quem exerce funções públicas ter uma mundividência muito mais profunda do que quem, simplesmente, não fez mais nada na vida do que exercer funções políticas. Ter carreira e construir vida profissional tem e deve ser crédito para um político. Não pode ou não devia ser ónus! E escrevo-o hoje com a propriedade de quem disse no debate da moção de censura, na passada sexta-feira, a propósito de deputados do Chega que tinham, na sua vida profissional, interesses económicos em determinadas áreas: “têm toda a legitimidade os senhores deputados do Chega, porque o País precisa de gente neste Parlamento que conheça a vida e o mundo real…”.
Não alinho em teorias conspirativas, nem em moralismos bacocos e populismos hipócritas. Não aceito lições de integridade ou seriedade de quem presume menos sérios todos os outros. Hoje, já não opinamos sobre comportamentos. Hoje, querem censurar eventuais e hipotéticos futuros comportamentos!
Os políticos têm um dever exaustivo de declarar o seu património, o seu rendimento e seus interesses. Estas declarações são consultáveis e escrutináveis. A bem da transparência da democracia. Mas a partir daqui, e até prova em contrário, a presunção de seriedade e integridade é obrigatoriamente a regra.
Os políticos devem ter passado. E têm de ter futuro profissional. No dia em que pusermos em causa estes princípios, procuraremos os nossos representantes apenas em dois sítios: naqueles que nunca fizeram mais nada vida, que não seja representação política, ou no meio de uma qualquer floresta indígena. Mas, se calhar, alguém vai dizer que quem vem da floresta poderá ter um eventual, futuro e sinistro conflito de interesses… com os defensores do ambiente!