Era esperado que a OPEP anunciasse um aumento na produção de petróleo, mas o que é certo é que aquela entidade surpreendeu os mercados, ao efetuar um acréscimo que triplica as previsões. Para tal, podem ter contribuído as pressões e sanções de Trump, assim como alguma discórdia entre os produtores.
Se os mercados apontavam a uma subida de 138 mil barris, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) fez saber que, a partir de maio, vai aumentar a produção em 411 mil barris. De resto, a decisão que está a derrubar os preços dos futuros de Brent e de crude nesta sexta-feira, depois de o mesmo ter acontecido na véspera, desde o momento do anúncio.
Recorde-se que a entidade envolve alguns dos grandes produtores e exportadores daquela commodity, como é o caso da Arábia Saudita, Iraque, Irão, Emirados Árabes Unidos ou Kuwait.
Os analistas do banco ING, sediado nos Países Baixos debruçaram-se sobre o caso e chegaram à conclusão de que existiram três grandes motivos a despoletar a decisão.
Uma das causas consiste na aplicação de sanções, por parte dos Estados Unidos (EUA), ao Irão e Venezuela (ambos membros da OPEP). Aqueles analistas escrevem que a OPEP pode ter antecipado a redução da produção naqueles países, que pode abrir espaço para outros players aumentarem a oferta no mercado.
Por outro lado, o papel de Donald Trump pode ter contribuído. “Não é segredo”, pode ler-se, “que o republicano quer baixar os preços do petróleo e pressionou os sauditas a aumentarem a oferta”, depois de ter prometido perseguir este objetivo, quando era candidato à presidência dos EUA.
Por último, podemos estar a ver um castigo sobre outros produtores de petróleo, como é o caso do Iraque ou Cazaquistão. Estes incumpriram o acordo e os objetivos estabelecidos, ao aumentarem a produção. A OPEP pode ter agido em resposta à posição daqueles estados, o que significaria um derrubar do clima de consenso entre as partes que parecia ter-se estabelecido, para uma situação de “falta de confiança”.
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