O centro de dados de Sines afasta impacto nesta fase com a limitação à venda de chips da Nvidia pelos EUA. Já nas próximas fases do projeto, a Start Campus admite impacto em alguns clientes.
“Não é um problema neste momento. Os limites não impactam o que estamos a fazer no primeiro edifício”, começou por dizer Robert Dunn, CEO da empresa dona do Sines Data Center Campus.
“Pode vir a ter um impacto nos edifícios maiores, mas depende do tipo de cliente. Nos grandes clientes, não deverá ter impacto”, acrescentou o gestor na sexta-feira durante a inauguração da primeira fase do projeto.
São mais de 12 mil milhões de euros a ser investidos em Portugal nos próximos cinco anos em centros de dados. A maior fatia (8,5 mil milhões) destina-se ao centro de dados de Sines, com quase quatro mil milhões distribuídos por outros projetos.
Mas os investidores estão preocupados com a inclusão de Portugal numa lista de restrições dos EUA à venda de chips da Nvidia, que são cruciais para alimentar os centros de dados dedicados à Inteligência Artificial (IA), conforme revelou o Jornal Económico a 28 de março.
“Há aqui uma grande expectativa. Alguma ansiedade relativamente ao tema” que os chips não cheguem “para o número de investidores que tenha interesse no nosso país”, revela ao JE o presidente da Associação Portuguesa de Centro de Dados – Portugal DC, Luís Pedro Duarte.
“Para um investidor é uma barreira”, destaca, apontando que o problema é maior para os projetos hyperscalers, que são os centros de dados vocacionados para a Inteligência Artificial (IA), como o centro de dados de Sines, Nestes projetos, “há uma dependência bastante elevada dos chips da Nvidia”.
“Não percebemos porque é que Portugal ficou assim classificado. É bastante limitativo. Acaba por ser uma limitação”, segundo o gestor. Espanha aqui ao lado fica na lista sem restrições e ambos os países estão a concorrer para atrair investimento neste setor.
A decisão foi inicialmente tomada pelo Governo de Joe Biden em janeiro, com as restrições a afetarem 120 países incluindo aliados dos EUA como a Polónia, Israel, México ou a Suíça. O objetivo é impedir que a China tenha acesso a estes chips, mas a decisão está a ter efeitos colaterais, pois limita as ambições dos países no campo da IA.
Portugal encontra-se no nível 2 da lista; só os países com nível 1 têm acesso facilitado a estes chips. Por outro lado, há países que estão totalmente impedidos de receberem os processadores.
Os contatos já foram feitos com o ministério da Economia, a Direção-Geral das Atividades Económicas (DGAE), o consulado português nos EUA e a embaixada dos EUA em Portugal, tendo sido “sinalizado que vai haver essas limitações”. esperando que haja mais desenvolvimentos com um novo Governo.
O JE contactou na altura o ministério da Economia, tutelado por Pedro Reis, com várias perguntas sobre este tema, mas não obteve respostas.
No evento de sexta-feira, nem o ministro da Economia nem o ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz abordaram o tema. Os ministros realizaram discursos, mas não responderam a perguntas dos jornalistas.
A importância deste investimento era visível pelo peso da comitiva americana. No evento, estavam presentes cerca de uma dezena de membros da embaixada norte-americana em Portugal. Entre eles, estava o Chargé d’affaires da embaixada Douglas Koneff, o responsável máximo atual da representação diplomática enquanto não chega o novo embaixador nomeado por Donald Trump. Douglas Koneff também não mencionou o tema das limitações dos chips.
As empresas norte-americanas de centros de dados são as principais interessadas em investirem em Portugal, num momento em que certas zonas da Europa já não têm capacidade para receberem estas infra-estruturas, como Espanha ou a Irlanda.
O responsável da PortugalDC deu o exemplo do projeto da Start Campus em Sines, o da Atlas Edge em Carnaxide, o da Voltekko em Alcochete, o da Merlin Properties no Carregado ou o segundo centro de dados da Equinix, no Prior Velho. “Há muito dinamismo”, resume.
A opção pela grande Lisboa de muitos destes centros deve-se ao facto de serem centros de dados dedicados às telecomunicações, streaming, televisão por cabo, o que significa que faz mais sentido estarem “mais próximos dos consumidor final”, o que não acontece no caso da IA.
Entre as mais-valias de Portugal para o setor, o gestor destaca a produção de “energia elétrica verde, num rácio superior aos países europeus, e com um preço por kilowatt bastante competitivo, e ainda temos disponibilidade de potência elétrica. Há países na Europa onde já não há capacidade para alimentar infraestruturas”, assim como a segurança registada no país e o acesso a diferentes cabos submarinos vindos de todo o mundo.
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