No passado domingo, a zona euro conseguiu fechar um acordo comercial com os EUA, naquele que é o maior fluxo de transações mundiais. São mais de 1,7 biliões de euros anuais que poderiam ter ficado sujeitos à incerteza e mercê do bullying, principalmente da contraparte americana.

O acordo retira a incerteza e imprevisibilidade, com as empresas a saberem com o que contam, pelo menos nos próximos três anos. A taxa aduaneira de 15% foi aplaudida, tendo em conta o pior cenário, mas demonstrou a fragilidade do lado europeu. Poucos foram os produtos isentos de taxas, com a exceção dos que interessavam aos EUA.

Na via do investimento, os europeus comprometem-se a investir 600 mil milhões de dólares nos EUA, não se sabendo bem em que indústrias, mas foi o suficiente para um anúncio pomposo. O problema com este anúncio é que são recursos que a Europa deixa de investir em si própria e na necessidade de se tornar, de uma vez por todas, independente dos EUA ou de qualquer outra nação.

O melhor investimento era a Europa comprar 25% da Microsoft, ou da Alphabet, pois sempre garantiria uma palavra a dizer. Isso sairia seguramente mais barato do que o preço que iremos pagar pela dependência.

O mesmo se passa com a compra de 750 mil milhões de dólares em energia proveniente dos EUA. Vai ser difícil concretizar esta promessa, mas também já nos habituámos a anúncios de números que ninguém verifica, ficando perdidos para sempre.

Mais uma vez são mais recursos que a Europa poderia usar para desenvolver a sua própria independência energética. Porque não investir nas empresas europeias que atuam na área do petróleo, gás natural e energias renováveis? Não seria melhor para a segurança energética da Europa garantir recursos próprios um pouco por todo o mundo?

Quem leva a melhor são os EUA: o excedente anual será superior a 100 mil milhões de dólares. A Europa, além de não ter empresas de cibersegurança, software ou chips de grande dimensão, atrasou-se, uma vez mais, a garantir a independência e a dianteira num mundo em grande mudança.

A Europa está a colher o que semeou e ainda não foi capaz de planear um futuro promissor. Talvez por isso o euro baixou 3%. Com tanto investimento fora, sobrarão menos recursos para o investimento interno, no que resultará numa Europa mais frágil. Avizinha-se uma forte mudança política na Europa, porque assim não dá!