A indústria portuguesa de calçado exportou 36 milhões de pares, no valor de 843 milhões de euros, no primeiro semestre de 2025. Face ao período homólogo, registou-se um crescimento de 5,4% em quantidade e 3,7% em valor. Em 2025, o setor português tem vindo a ganhar quota face aos principais players internacionais, refere a associação do setor, a APICCAPS, em comunicado.
Na primeira metade do ano, a China – responsável por cerca de 55% da produção mundial de calçado – recuou 12,5% nas exportações. Já o México e a Turquia, dois produtores de referência, registaram quedas de 19,3% e 15,3%, respetivamente, no comércio internacional. No espaço europeu, também a Itália e a Espanha, dois dos grandes concorrentes de Portugal, apresentaram quebras de 2,6% e 2%.
“Está a ser um ano muito exigente para a indústria de calçado a nível internacional”, sublinha Luís Onofre. “O facto de exportarmos mais de 90% da nossa produção para 170 países permite que a indústria portuguesa revele um desempenho globalmente positivo”, refere o presidente da APICCAPS, citado pelo comunicado.
Ainda assim, alerta: “continuamos muito dependentes da evolução das principais economias para mantermos este registo na segunda metade do ano e consolidarmos 2025 como um ano de afirmação do calçado português nos mercados externos.”
Entre janeiro e junho, a Alemanha reforçou o seu estatuto como principal destino do calçado português, crescendo 13,1% para 217 milhões de euros. Também a França manteve uma evolução positiva, com um acréscimo de 1,4% para 167 milhões de euros. Pelo contrário, o maior foco de preocupação surge nos Países Baixos, onde as vendas recuaram 5,3% para 94 milhões de euros.
Depois de um arranque de ano marcado pela incerteza e por quebras na ordem dos dois dígitos, as exportações portuguesas de calçado para os EUA iniciaram uma trajetória de recuperação, ascendendo, no final do primeiro semestre, a 40 milhões de euros (menos 6,4% face ao ano anterior). “O mercado norte-americano é uma prioridade para o calçado português”, reforça Luís Onofre.
Num enquadramento tarifário mais favorável – em que países como o Brasil são penalizados em 50%, a China em 30%, a Índia em 50% e o México em 25% – “esta pode ser a oportunidade para reforçarmos a presença nos EUA, onde cresce a procura por produtos premium, sustentáveis e com história.” Para o presidente da APICCAPS, “Portugal, tendo em conta os investimentos em curso – mais de 100 milhões de euros no âmbito do PRR nos domínios da automação, robótica e sustentabilidade – pode afirmar-se como uma sólida alternativa à produção massificada e ambientalmente insustentável.”
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