[weglot_switcher]

Sylvain Amic, “uma mente aberta e criativa”, morre aos 58 anos

Estava à frente do Museu d’Orsay há apenas 16 meses, mas deixou a sua marca. Defensor da devolução de bens culturais, da circulação de obras por toda a França e de uma programação mais estimulante para o público jovem, Sylvain Amic queria, acima de tudo, democratizar o acesso à arte.
3 Setembro 2025, 13h15

Sylvain Amic, presidente do Musée d’Orsay, em Paris, morreu repentinamente de um ataque cardíaco, no domingo, 31, aos 58 anos, na sua casa de férias no sul de França. Acérrimo defensor da democratização da arte e sensível à devolução de bens culturais trazidos para França no período colonial, estava apenas há 16 meses no cargo. Um período curto, mas relevante q.b. para deixar sementes, como os programas que desenhou para cativar o público mais jovem e de proximidade.

No ano passado, 3,7 milhões de pessoas visitaram o Musée d’Orsay – cuja particularidade é reunir o conjunto das expressões artísticas de um período muito curto, 1848-1914, mas extremamente fértil –, onde pontuam nomes maiores como van Gogh, Monet, Manet, Renoir e Gauguin. Pintura, escultura, arquitetura, artes decorativas e fotografia são expostas lado a lado. Mas não só. Sob a presidência de Amic, nasceu um programa de circulação de obras do museu pelo país, tendo como ponto de partida a sua relação com as alterações climáticas.

O presidente francês Emmanuel Macron comentou na rede X que Sylvain  Amic “se empenhara para que todos tivessem acesso às maravilhas da arte”. O seu antecessor, Christophe Leribault, que agora dirige o Castelo de Versalhes, elogiou Amic, descrevendo-o como “uma pessoa afável e dinâmica”. A ministra da Cultura francesa, Rachida Dati, que o nomeou para o cargo, descreveu Amic como “uma mente aberta e criativa.”

Nascido a 26 de abril de 1967, em Dakar, no Senegal, filho de professores, seguiu o caminho dos pais e ensinou numa escola francesa em Banjul, na Gâmbia, antes de assumir a direção da mesma. Os seus primeiros anos de formação na África subsariana irão torná-lo particularmente sensível à devolução de obras de arte levadas do continente durante o período colonial, ao ponto de participar ativamente na elaboração de leis, em França, em prol da restituição de bens culturais.

Ao fim de 11 anos à frente dos Museus de Rouen, Amic – que também fora consultor da ex-ministra da Cultura francesa, Rima Abdul Malak – concretizou um sonho de longa data, dirigir o Museu d’Orsay. Em janeiro deste ano, numa entrevista ao “Le Monde”, disse que o museu tinha de “oferecer uma programação ainda mais estimulante” ao público jovem. E que, enquanto “ativo nacional”, o museu tinha de ser “devolvido à França”. Ou seja, cativar visitantes, por um lado, e fomentar o empréstimo de obras a outros museus um pouco por todo o país. Fazer circular obras, descentralizar a arte. E chegar a todos.

“Temos de ser capazes de acolher todas as pessoas, qualquer que seja o seu ‘background’, e de mostrar que o século XIX é a matriz do mundo contemporâneo, seja ao nível do estatuto da mulher, da relação entre o mundo urbano e o mundo rural, seja ao nível das descobertas científicas, do cinema, da fotografia”, frisou Sylvain Amic nessa mesma entrevista.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.