A entrada na faculdade dos nossos jovens é um desafio anual. É uma guerra constante pelas notas para conseguir entrar na Universidade. E quando entram é um orgulho para pais e para os próprios. Mas seria interessante analisar o enquadramento: em medicina precisa-se de mais de dezoito valores, em engenharia é igual, em economia e gestão andamos pelos dezoito e direito não foge à regra. Por outro lado, 30% dos alunos abandonam a universidade, sem concluir o curso, e apenas 46% termina o curso em quatro anos.
Ter uma média superior a dezoito, parece-me a mim que é ou deveria ser algo absolutamente excecional. Sendo assim, na nossa juventude pululam os génios transformando o nosso país em caso de estudo. Por outro lado, as universidades vêm depois trazer à realidade as dificuldades do estudo académico face ao facilitismo de um ensino secundário que atribui notas para permitir uma imagem de ensino de qualidade e para abrir portas ao acesso à universidade, defendendo o mérito da escola em questão.
Recordo-me de uma amiga que dizia com toda a vaidade própria que em medicina só entravam os alunos excecionais porque todos tinham pelo menos dezanove valores. Na minha ‘malandrice’ de gestor ligado aos números respondia-lhe que, a mim, o que me preocupava, se estivesse doente, era o 1 valor que eles não sabiam, ou seja 5%…
Todo este modelo leva a que exista depois da faculdade concluída uma vaidade de conhecimento que, de experiência feito, é totalmente nulo. Talvez, por isso, muitas pessoas consideram que já tiveram a formação toda que precisam, desprezando a tão essencial formação contínua. E esse é um dos problemas graves do nosso país: a formação. Não fazemos porque dizemos sempre que não temos tempo, porque “parece mal” fazer formação, porque é uma perda de tempo e nós gostamos de nos mostrar ocupados, porque…
Vivemos esse mal na gestão das nossas empresas, achando que nada temos a aprender com os outros e não percebendo que temos tudo a aprender com todos. Se nos fechamos em nós a empresa também fica fechada e não consegue vencer os desafios. Investe-se muito em tecnologia e digitalização e pouco em pessoas, mas sem pessoas não há inovação, crescimento nem desenvolvimento.
É da humildade que nasce a busca do conhecimento. É da procura e da insatisfação permanente que nasce a luz. É do nosso conhecimento que surge a dúvida e é da dúvida que podemos alcançar a razão. Senão fica-nos sempre a faltar aquele terrível 1 valor. E esse um valor pode mudar a nossa empresa e o mundo.


