Este artigo não é uma resposta às críticas ao artigo anterior, mas trata-se, efectivamente, de um aprofundamento da minha reflexão sobre o estado da oposição angolana. Porque a questão central que deve ser colocada aos partidos angolanos que se encontram na oposição é a seguinte: consideram que as eleições angolanas são livres, justas e transparentes, conforme são as eleições em regimes democráticos?

A resposta a essa questão é essencial para avaliarmos a estratégia eleitoral adoptada, porque um partido que responde negativamente a essa questão deverá lutar, política e eleitoralmente, para a construção de um regime democrático. Para este efeito, uma frente única é a melhor estratégia, conforme decorreu no processo brasileiro com a “Diretas Já”, que agregou diferentes partidos e organizações da sociedade civil na reivindicação política que ajudou a democratização do país.

Por sua vez, um partido que considera que o processo angolano decorre com ligeiras falhas e incidentes, mas, ainda assim, cumpre os três critérios essenciais (livre, justo e transparente) está no direito de definir uma estratégia político-eleitoral isolada. Porque precisa de testar a sua força eleitoral, o que só será possível se concorrer com os seus símbolos e candidatos. Ou seja, fora de uma frente única.

A frente única tem a vantagem de evitar uma dispersão dos votos, permitindo, igualmente, monitorizar o processo eleitoral através da colocação de delegados de lista em todas mesas de voto e assembleias. Consegue-se, em teoria, assegurar uma melhor organização de recursos humanos e financeiros. Ademais, assegura-se que uma frente política unificada participa nos eventuais processos de reclamação e de impugnação dos resultados, quer do ponto de vista político quer do ponto de vista do contencioso eleitoral, junto à Comissão Nacional Eleitoral e ao Tribunal Constitucional de Angola.

No entanto, esta frente única acaba por beneficiar a UNITA, por ser um partido com uma marca consolidada, com identidade e legitimidade histórica. Ao passo que os demais partidos, sobretudo os recém-constituídos, correm o risco de não conseguirem construir uma identidade política própria, postergando a consolidação do seu eleitorado e, consequentemente, reduzir o seu espaço político-representativo em Angola.

Portanto, é natural que quem integra e apoia a UNITA esteja mais facilmente inclinado para a constituição de uma frente única. Os demais devem ponderar os riscos subjacentes a uma decisão político-eleitoral que pode ditar a diluição dos respectivos projectos políticos até 2032.