O Banco de Tormento transformou-se em Banco de Fomento em apenas 12 meses. Criado em 2020, arrastou os pés naquela serena posição do lótus tão amada por António Costa: tudo com muita calma e calminha, pernas e braços (também) cruzados, apesar da dimensão do bicho: muita gente por toda a parte, hoje são mais de 600 pessoas, encomendas políticas e resultados pífios. Um gestor sozinho não faz tudo, mas é dele que começa a morte ou vida de uma empresa.

Os jornalistas do Jornal Económico elegeram Gonçalo Regalado como personalidade do ano. A escolha tem na sua base os impressionantes indicadores conseguidos em apenas um ano: o Banco Português de Fomento (BPF) colocou 6,5 mil milhões de euros na economia, representando 2,2% do PIB, e apoiou mais de 16 mil empresas com mais de 18 mil operações de financiamento do investimento. Multiplicou por 12 vezes a atividade de 2024. Os números sustentam a eleição, mas não captam por inteiro a extraordinária mudança cultural do BPF, sustentada numa alteração radical da organização do banco, tornando-o realmente num banco e já não a estrutura quase amadora incapaz de deglutir a informação em tempo útil e dar o sim ou não num prazo aceitável.

Por ser filho de empresários, sabe em primeira mão como funcionam os negócios, entende os seus prazos e urgências. Percebe a importância da responsabilização e dos incentivos nas equipas e como é vital que cada um saiba o que tem a fazer e até quando. Pode ser espantoso, mas o Banco de Fomento parecia incapaz de chegar onde já está. A ligação às empresas é chave, mas a negociação com os bancos privados é determinante, a que se junta o acompanhamento de dois ministros, Economia e Finanças, representantes do Estado. Escrito assim, tinha tudo para correr mal, uma camisa de sete varas. Gonçalo Regalado quebrou o código em semanas e agora ei-lo a chamar para o Conselho Consultivo muita gente da banca e das empresas. Pessoas com muita experiência, os níveis de análise e ação subirão ainda mais. Não é um grupo de amigos, são todos concorrentes, será uma orquestra galática e o maestro terá de ter mãos nos solistas.

Operar numa economia moderna torna fundamental este músculo e conhecimento – a banca é um negócio de risco. Tudo somado, o Banco de Fomento multiplica a capacidade de financiamento, facilita as exportações e o investimento. Palavras mágicas que nunca pareceram proféticas – estavam no capítulo do delírio lusitano, mas que hoje estão confirmadas por mérito próprio.