Não há controlo antidoping, os atletas têm prémios monetários se ganharem medalhas e recebem um milhão de dólares (855 mil dólares) caso batam um recorde mundial – ao contrário dos Jogos Olímpicos, que contam com 32 modalidades, esta versão controversa limitará a sua programação a apenas três (halterofilismo, natação e atletismo).
Os “Enhanced Games” ou “Jogos do Doping” serão disputados em Las Vegas em maio deste ano e pretendem ser uma alternativa ao desporto organizado pelo Comité Olímpico Internacional, permitindo que os participantes utilizem substâncias aprovadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. Entre elas poderão estar esteroides, testosterona e hormonas de crescimento.
Aron D’Souza, empresário australiano de 40 anos, teve a ideia de criar este evento enquanto treinava num ginásio norte-americano. Ele percebeu que a maioria das pessoas que se exercitava utilizava esteroides. Inspirado pela ideia de que cada um tem total liberdade sobre o seu próprio corpo, idealizou uma competição sem quaisquer limitações em relação ao uso de substâncias para aumentar a performance física. “Vivemos num mundo transformado pela ciência, das vacinas à Inteligência Artificial. Mas o desporto parou. Hoje não estamos a atualizar o livro de regras, estamos a reescrevê-lo. E estamos a fazer isso com segurança, ética e ousadia”, diz Aron D’Souza.
O empresário australiano, licenciado em Direito pela Universidade de Oxford, conta com o apoio financeiro de Donald Trump Jr, filho do atual presidente dos Estados Unidos, e Peter Thiel, bilionário alemão-americano e cofundador do PayPal. O nadador olímpico Ben Proud foi um dos primeiros atletas a ade rir a esta competição.
O dinheiro pesou na decisão, pois quando comparada com desportos como o futebol masculino, o râguebi e o ténis, a natação não oferece grandes ganhos financeiros. Proud afirmou que um prémio de 250 mil dólares (213 mil euros) equivaleria a “13 anos a ganhar títulos de campeonatos mundiais”.
Na natação estão previstas as provas de 50 e 100 m livres, além dos 100 mariposa, enquanto no atletismo as provas são 100 m, 110 m barreiras e 100 m barreiras. No halterofilismo foram escolhidas as duas modalidades olímpicas (a prova de arranque, snatch, e a prova de arremesso, clean and jerk).
A competição já tem garantidas as presenças do grego Kristian Gkolomeev, do norte-americano Megan Romano, do ucraniano Andriy Govorov e do nadador búlgaro Josif Miladinov. Em reação ao anúncio oficial da competição, o Comité Olímpico Internacional defendeu que esta é “uma boa maneira de destruir qualquer conceito de fairplay ou competição justa”, acrescentando que era completamente contrário “às ideias e aos valores dos Jogos Olímpicos”.
No entanto, existem profundas divisões na forma como o desporto ao mais alto nível é financiado, principalmente em modalidades como a natação, onde até os atletas muito bem-sucedidos têm dificuldade em obter recompensas financeiras. Certo é que a decisão de Proud representa um desafio direto aos valores do desporto limpo, minando décadas de esforços antidoping. Independentemente do sucesso nos “Enhanced Games”, a sua participação poderá afastá-lo de muitas oportunidades que bafejam os heróis do desporto após a reforma.
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