O frisson é inevitável de cada vez que se ouve o apelido Kennedy. Mais uma tragédia? O divórcio teve início em dezembro, mais concretamente no dia de Consoada, quando estava previsto um Concerto de Jazz no Kennedy Center, em Washington D.C.. Uma tradição que já leva 20 anos, sob os auspícios de Chuck Redd – músico que integrou as mais diversas formações de grandes nomes do jazz, de Dizzy Gillespie a Ray Brown – cancelou, sem contemplações.
Donald Trump, na sua vertigem decisória, decidira mudar o nome do Kennedy Center para… The Donald J. Trump and The John F. Kennedy Memorial Center for the Performing Arts. Segundo a Casa Branca, o conselho de administração aprovou a mudança, que agora se encontra plasmada na fachada do edifício. End of story? Longe disso. O episódio mais recente envolve a Washington National Opera, fundada em 1957, e que, desde 1971, fez do John F. Kennedy Center for the Performings Arts a sua casa. Até há escassos dias.
Se a primeira gota foi Trump nomear-se presidente do Kennedy Center, colocando na direção executiva um aliado político, Richard Grenell, e preenchendo o conselho de administração com apoiantes, a última gota foi a decisão dessa mesma administração de intimar a companhia a sair do Centro (abdicando da sala com mais de 2.300 lugares) com a maior brevidade, tendo em vista a redução do número de apresentações para conter custos.
O “New York Times” teve acesso ao conteúdo da decisão aprovada pelos 37 membros da administração e às declarações da sua porta-voz, Roma Daravi. “Após cuidadosa consideração, tomámos a difícil decisão de nos separar da Washington National Opera (WNO) devido a uma relação financeira difícil. Acreditamos que este representa o melhor caminho para ambas as organizações e permite-nos fazer escolhas responsáveis que apoiem a estabilidade financeira e o futuro a longo prazo do Trump Kennedy Center.”
Francesca Zambello, a diretora artística da WNO nos últimos 14 anos, afirmou, em comunicado, o seu “orgulho em estar afiliada a um monumento nacional ao espírito humano, um lugar que há muito tem servido como um lar acolhedor para a nossa família cada vez maior de artistas e amantes da ópera.” Os responsáveis da WNO, por sua vez, não mencionaram Donald Trump e optaram por um tom conciliatório. “O conselho e a gestão da empresa desejam sucesso ao centro nos seus projetos futuros, incluindo o reconhecimento do centro por ter assegurado um financiamento significativo, incluindo 275 milhões de dólares do Congresso, para melhorias [no edifício]”. Foi ainda anunciado que a WNO irá “procurar uma rescisão amigável e antecipada do seu acordo de afiliação com o Kennedy Center, e retomar as operações como uma entidade sem fins lucrativos totalmente independente.”
Vários artistas têm vindo a cancelar a sua participação em espetáculos e eventos com a chancela do Kennedy Center. Stephen Schwartz, o conhecido compositor do musical blockbuster da Broadway, já adaptado ao cinema, “Wicked”, é um dos nomes mais recentes a cortar relações com a instituição.
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