Todos os eventos públicos, ligados a uma área do conhecimento, têm um conteúdo de referência e uma componente de espectáculo.

Quando estas duas componentes estão equilibradas, assistir ao evento, torna-se suportável.

Acontece que os eventos actuais tendem a privilegiar o espectáculo, em detrimento do conteúdo, aumentando a sua irrelevância e tornando um sacrifício difícil de suportar, assistir à totalidade do evento.

Com mesas redondas em que é impossível analisar um tema em profundidade e que se arrastam no tempo.

Com intervenções, de participantes com bases de conhecimento frágeis, sem qualquer conteúdo relevante, só para se ouvirem a si próprios.

Num evento recente, em que participei como orador, tive a convicção de que os únicos intervenientes que aprenderam algo, foram os oradores, que ouviram, atentamente, as exposições, uns dos outros.

A assistência vibrava com o espectáculo, obviamente disfarçado, com a afirmação de que estava a ser utlizada uma metodologia específica de aprendizagem.

Esta tendência explica as deficiências de conhecimento da nossa sociedade, com especial destaque para os jovens, que não aprendem nem consolidam conceitos e ferramentas teóricas, que lhes permitiriam exercer, com competência, as suas funções.

E é, também, responsável, por erros de gestão clamorosos, que estão na base, para além de outros factores, do crescimento medíocre da nossa economia.

Mas esta predominância do espectáculo não se verifica exclusivamente no âmbito dos eventos profissionais e empresariais.

Grande número dos eventos políticos, em particular os de cariz mais partidário, padecem do mesmo mal.

Em que a maioria dos participantes só vai para ver e ser visto pelos outros membros da corporação.

Pintando o país de cor de rosa, fixando-se em detalhes das espumas dos dias, evitando a discussão, análise e decisão sobre os problemas estruturais do país.

Estes eventos são um cansaço, uma inutilidade e uma perda de tempo, contribuindo para reduzir, ainda mais, a nossa produtividade.

Neste processo evolutivo, todos os que privilegiam o conteúdo e não o espectáculo, afastam-se, cada vez mais, destes eventos.

Contribuindo, desta forma, para o seu constante empobrecimento intelectual.

E condenando o país a um atraso estrutural permanente.