O dólar iniciou o ano em queda, numa tendência que poderá continuar pelo menos ao longo do atual trimestre. Esta semana, o Eur/Usd e o índice do Dólar atingiram níveis que não eram observados desde meados de 2021. Donald Trump desvalorizou a situação. “Acho ótimo”, afirmou o presidente dos EUA.

O ano passado já fora de recuo da moeda norte-americana, que tinha perdido cerca de 12% face ao euro. A queda do dólar tem levado exportadores e gestores de carteiras a reforçarem a cobertura cambial para evitar perdas adicionais. Na prática, as operações de cobertura, sobretudo se muito concentradas no tempo, acabam por acelerar a desvalorização da moeda.

São várias as causas para esta tendência, a começar pela tentativa de vários países de utilizarem menos o dólar em transações comerciais e, sobretudo, na composição das suas reservas. China, Índia e Rússia são bons exemplos de países que tentam “desdolarizar. A forma como os ativos russos foram cativados após a invasão da Ucrânia acelerou este processo. A valorização expressiva do ouro e demais metais preciosos é outra manifestação destes receios. A desconfiança em relação aos EUA alastra, com alguns agentes económicos ocidentais a questionarem-se se os mercados americanos continuam a ser os mais seguros para o investimento estrangeiro. A volatilidade e a arrogância das políticas económicas de Trump têm contribuído para o desconforto. Um ângulo particular desta inquietação em relação ao dólar prende-se com os “défices gémeos” dos EUA – défices orçamental e comercial. Claro que os EUA não entrarão tecnicamente em default porque podem sempre emitir mais dólares, mas a monetização da dívida pode acentuar-se, fazendo baixar o valor da moeda. A queda do dólar pode ainda contribuir para o desconforto em deter Treasury Bonds.

Um fator que tem sido muito citado é o receio de perda de independência da Reserva Federal. As pressões da Casa Branca sobre a FED têm sido permanentes e teme-se que o novo chairman seja um “yes man” de Trump. No fundo, receia-se é que os EUA deixem de ser um Estado de Direito e uma economia liberal de mercado.

Como referido  aqui em setembro, o comportamento do dólar desde o final de 2024 tem muitas semelhanças com o aconteceu no primeiro mandato de Donald Trump. Se o padrão de evolução do Eur/Usd se mantiver o mesmo de há 5 anos, o dólar ainda tem espaço para cair mais, até perto de 1.25 dólares por euro até abril.