To handle yourself, use your head; to handle others, use your heart. Eleanor Roosevelt
Uma das expressões mais vincadas das empresas familiares em todo o Mundo é o volume de emprego que representam. Em Portugal 50% do volume total de trabalhadores em Portugal, 2,66 milhões de pessoas, estão em empresas sob propriedade familiar.
Segundo a “Harvard Business Review”, a retenção em empresas familiares passa por desenvolver de forma autêntica sentimentos de família e união entre os colaboradores e os próprios acionistas. Trata-se de saber contratar, gerir, estimular e fazer crescer esses colaboradores ao nível do seu potencial e oferecendo-lhes uma visão de carreira atraente, prazer no trabalho e naturalmente um work life balance equilibrado.
Mas este modelo virtuoso está longe de ser uma realidade na maior parte das empresas familiares portuguesas. A frase “Os colaboradores são o nosso maior ativo” ou passar o nome da direção de recursos humanos a direção de pessoas são lugares-comuns cosméticos, sem efeito prático. Por isso nunca é demais sublinhar o que de concreto pode e deve fazer uma empresa familiar para criar e obter da sua “família alargada” o melhor desempenho, a menor rotação e a maior satisfação.
A complexidade inerente à concretização de um ambiente laboral virtuoso varia de caso para caso, mas existem algumas iniciativas que são universais…
- Recrutar os melhores
Tudo começa com uma boa lista de candidatos e uma seleção rigorosa, de que faz parte uma discussão aberta das expectativas de parte a parte. A empresa tem de compreender o encaixe do melhor candidato no cargo e na cultura e, se for um familiar, avaliar se ele é a melhor solução face às opções externas mesmo que seja ele a ocupar o cargo.
- Avaliar, premiar ou punir o desempenho
A definição de expectativas, deve incluir as ações específicas que resultarão da concretização dos objetivos para estimular o desempenho. É definido um avaliador e um coach que gerem de forma rigorosa e equitativa todo o processo de avaliação.
- Promover um equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal
É essencial criar um ambiente de trabalho onde os colaboradores se sintam capacitados para equilibrar a vida profissional e pessoal, o que normalmente se reflete numa redução do absentismo e no aumento da retenção de funcionários.
- Implementar acordos de trabalho flexíveis
A flexibilidade nos horários de trabalho e as opções de trabalho remoto podem melhorar significativamente o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Estudos demonstram que os colaboradores com horários flexíveis reportam um aumento de 19% no desempenho, destacando os benefícios diretos destas políticas na produtividade.
- Apoiar as necessidades familiares
Oferecer uma licença parental robusta é crucial para uma cultura favorável à família. A introdução pelo Parlamento Europeu de uma licença de paternidade mínima de 10 dias em toda a UE evidencia o compromisso em apoiar os pais, com empresas como a Netflix e o Facebook a oferecer padrões bem superiores. Por outro lado, apoiar os trabalhadores que cuidam de familiares idosos está a tornar-se cada vez mais importante. Programas como fornecer informações sobre serviços de cuidados ou estabelecer grupos de apoio no local de trabalho podem ter grande valor para os colaboradores e aumentar o seu respeito pela empresa.
- Fomentar uma cultura de trabalho de apoio
Uma cultura de trabalho familiar é caracterizada por comunicação aberta, empatia e apoio. Incentivar os colaboradores a discutir as suas necessidades familiares sem medo de julgamento ajuda a criar um ambiente de confiança. Organizar eventos familiares e proporcionar acesso a recursos parentais fortalece ainda mais os laços no local de trabalho e promove um sentido de comunidade.
- Estimular a união e trabalho de equipa entre os colaboradores
Ações de estímulo ao trabalho de equipa são tão importantes dentro da empresa como fora dela. Empresas que promovem e patrocinam equipas desportivas ou passeios familiares de colaboradores tiram dividendos a todos os níveis.
- Estar com os acionistas em momentos de convívio criativos e motivantes
É fundamental que cada colaborador tenha pelo menos uma oportunidade anual de estar com os acionistas e de falar com eles e que a empresa promova celebrações anuais e reuniões periódicas. São sempre momentos memoráveis e indispensáveis.
Seguindo estas iniciativas, a empresa familiar torna os seus colaboradores numa extensão da família e, como diz Eleanor Roosevelt, trata-os com o seu coração.
Aos leitores
Este é o último artigo da série “Empresas Familiares” e preparo-me agora para abraçar outros desafios com o Jornal Económico. Ficam mais de oitenta artigos dedicados ao fantástico universo de empresas familiares que mereceram o carinho de muitos leitores, a quem agradeço.



