Um novo estudo sobre a confiança económica e as condições de justiça social no acesso ao emprego revela que 42% dos portugueses considera que Portugal ainda não garante condições adequadas de justiça social, enquanto 24% reconhece progressos e 31% assume uma posição neutra. Estas são algumas das principais conclusões de um novo estudo da ConsumerChoice sobre as “Tendências dos Portugueses – Confiança na Economia e no Emprego”, realizado no âmbito do Dia Mundial da Justiça Social, assinalado na próxima sexta-feira.
A perceção de agravamento das desigualdades é clara: 87% dos inquiridos entende que as atuais condições económicas contribuem para o seu aumento. Quanto às responsabilidades na promoção da justiça social, o Governo surge destacado como principal agente, seguido das empresas e empregadores, reforçando a ideia de que a resposta exige coordenação entre políticas públicas e práticas empresariais.
A inflação e o custo de vida são apontados por 73% dos inquiridos como as principais preocupações atuais, refletindo a pressão sentida nos orçamentos familiares. Os baixos salários surgem em segundo lugar (62%), enquanto o acesso à habitação e a desigualdade social são também referidos com frequência.
Apesar do contexto, a maioria dos inquiridos antecipa estabilidade na sua situação económica pessoal ao longo deste ano. Apenas 15% prevê melhorias, sugerindo expectativas contidas face ao futuro imediato.
No que respeita à confiança na economia portuguesa nos próximos anos, 31% dos inquiridos afirma confiar, 24% mantém uma posição neutra e 43% demonstra menor confiança, num sinal de incerteza persistente.
Sobre a evolução da economia no próximo ano, 47% acredita que a situação se manterá, 29% antecipa um agravamento e 18% prevê uma melhoria. No mercado de trabalho, o padrão repete-se: quase metade espera estabilidade, 30% prevê um cenário menos favorável e apenas 16% antecipa melhorias.
Nos últimos 12 meses, 69% dos inquiridos refere ter sentido os efeitos do aumento do custo de vida e da inflação. A perda de poder de compra é apontada por 47%, enquanto 12% afirma não ter registado impacto direto.
A situação financeira pessoal surge como a área mais afetada (42%), seguida das perspetivas de futuro e da qualidade de vida. Os dados sugerem que os efeitos económicos são sentidos tanto no presente como nas expectativas dos portugueses em relação ao futuro, contribuindo para um clima de prudência e contenção nas decisões das famílias.
Num contexto de inflação persistente, rendimentos pressionados e acesso difícil à habitação, o estudo indica que a perceção de justiça social continua a ser um desafio estrutural, exigindo respostas concertadas entre Estado, tecido empresarial e sociedade civil.
Sobre o Estudo
O estudo foi realizado através de um questionário online junto de 822 respondentes, apresentando uma amostra diversificada em termos de género, idade, região de residência e situação familiar. A amostra é composta por 56% de respondentes do sexo masculino e 44% do sexo feminino, com maior representatividade nos grupos etários dos 45 aos 54 anos, seguidos dos 35 aos 44, 55 aos 65 e 25 aos 34 anos. Em termos geográficos, a maioria dos inquiridos reside em Lisboa e Vale do Tejo, seguida das regiões Norte e Centro, estando também representadas as restantes regiões do país. O questionário abordou temas relacionados com a confiança na economia portuguesa, as expectativas quanto à evolução do mercado de trabalho, o impacto das condições económicas na vida pessoal, as principais preocupações económicas e sociais, bem como a perceção sobre desigualdades sociais e a responsabilidade dos diferentes agentes na promoção da justiça social. No seu conjunto, os resultados permitem traçar um retrato atual das perceções, expectativas e preocupações dos portugueses face à economia e ao emprego, evidenciando uma leitura prudente, orientada para a estabilidade e consciente dos desafios económicos e sociais do país.
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