45 anos depois, o desafio é pôr a economia a crescer

A reação defensiva do regime contra o “populismo”, as “notícias falsas” e as “greves selvagens” não será suficiente para salvar a velha ordem. A economia tem de voltar a crescer de verdade, após quase 20 anos de estagnação. Só assim se poderá melhorar o nível de vida dos portugueses, manter o Estado social e preservar a democracia de Abril.

Quarenta e cinco anos depois da Revolução que devolveu a liberdade aos portugueses, o sistema político que dela nasceu está sob pressão de novos movimentos cívicos, sociais e sindicais que escapam ao controlo dos partidos e das grandes centrais sindicais nascidas nos anos 70 do século passado.

A recente greve dos motoristas de camiões que transportam combustíveis, que quase paralisou o país durante vários dias, foi a mais recente prova de como as novas formas de contestação estão a ser mais eficazes do que as promovidas pelos sindicatos “do sistema”. Este facto surpreendeu muita gente, expondo as contradições daqueles que, aparentemente, só concordam com as greves quando são protagonizadas pelos do costume. Passamos a ter as greves boas, aquelas que são dirigidas pela CTGP, em contraponto com as greves “selvagens”, isto é, aquelas que lhe escapam ao controlo. Este desafio à ordem estabelecida faz-se sentir igualmente na política, com o surgimento de novos movimentos que põem em causa a velha ordem. E também na comunicação, com as fake news a porem em causa os media tradicionais.

Sentindo-se acossado, o ‘regime’ tenta erguer muralhas a toda a volta, surgindo propostas para limitar a liberdade sindical, combater o “populismo” e controlar as “notícias falsas”. Mas esta reação defensiva, típica de regimes que se fecham sobre si mesmos e têm os dias contados, não vai permitir salvar a velha ordem. É preciso muito mais do que isso. Os partidos e os sindicatos tradicionais terão de arranjar coragem para desatarem o grande nó górdio que impede Portugal de avançar: fazer as reformas necessárias para que a economia possa voltar a crescer de verdade, após 20 anos de quase estagnação. Só assim será possível melhorar o nível de vida dos portugueses, manter o estado social e, no fim do dia, preservar a democracia e a liberdade que Abril nos trouxe.

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