‘Ameaça’ de Boris Johnson acaba com ambiguidade de Jeremy Corbyn

Dizem os seus críticos que esta ambiguidade ficou a dever-se ao facto de muitos militantes e apoiantes de base dos trabalhistas apoiaram a saída da União e terem votado nesse sentido em 2016. Mas tudo isso foi ultrapassado face à ‘ameaça’ Johnson.

Foi preciso Boris Johnson ‘ameaçar’ ser primeiro ministro para o líder dos trabalhistas britânicos, Jeremy Corbyn, ter finalmente abandonado a ambiguidade que mantinha em relação ao Brexit: nunca chegou a dizer ‘preto no branco’ se é ou não a favor da permanência do Reino Unido na União Europeia.

Dizem os seus críticos que esta ambiguidade ficou a dever-se ao facto de muitos militantes e apoiantes de base dos trabalhistas apoiaram a saída da União e terem votado nesse sentido em 2016. Mas tudo isso foi ultrapassado face à ‘ameaça’ Johnson: Corbyn desenvolveu um movimento de consulta a numerosas entidades – onde se incluem os principais sindicatos do Reino Unido – e decidiu: “quem quer que seja o novo primeiro-ministro”, escreveu o líder da oposição aos seus filiados “deve submeter-se a uma consulta pública sobre o Brexit. Nestas circunstâncias, quero ser claro: o Partido Trabalhista fará campanha em favor de permanecer na União Europeia em comparação com a opção de um Brexit sem acordo ou a qualquer acordo envolvendo um declínio na protecção da economia e do trabalho”.

Mas o líder trabalhista, ao qual seus detratores constantemente recordam o seu passado eurocético, deixa lacunas sem esclarecer na carta. Em primeiro lugar, recusa-se a especificar se a permanência na União Europeia também faria parte do programa eleitoral com o qual os trabalhistas se apresentariam a eleições gerais, no caso cada vez mais provável de haver a antecipação.

E em segundo lugar, se a sua ideia de acordo está contida na frase “os trabalhistas defenderam um acordo de compromisso que uniria o país, com base numa união aduaneira com a UE, uma forte relação com o mercado interno e um alinhamento com a proteção em matéria de ambiente e direitos do trabalho. E continuamos a pensar que esta é a alternativa mais sensata para reunir os cidadãos”, escreveu Corbyn.

Os resultados desastrosos das recentes eleições europeias, em que os trabalhistas foram relegados para o quarto lugar e a continuação dos maus resultados nas sondagens entretanto realizadas está a fazer crescer a oposição interna, para já agregada em torno de Tom Watson, que é ‘só’ o número dois do partido.

Corbyn alcançou um compromisso junto dos poderosos sindicatos trabalhistas, que se comprometeram a apoiar o pedido de que qualquer decisão sobre o Brexit adotada pelo novo primeiro-ministro seja submetida a um referendo. Tanto Boris Johnson como o seu rival Jeremy Hunt, prometeram tirar o Reino Unido da União em 31 de outubro – mês que sem um acordo, se Bruxelas se recusar a reabrir as negociações.

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