A aparência não ilude

O mundo acordou de novo para a discussão do racismo depois do ataque brutal em que morreu George Floyd, face às imagens em direto, de crueldade gratuita e que desencadeou uma onda de protestos em várias dimensões.

O mundo acordou de novo para a discussão do racismo depois do ataque brutal em que morreu George Floyd, face às imagens em direto, de crueldade gratuita e que desencadeou uma onda de protestos em várias dimensões.

Atos desta natureza propiciam reações exageradas e de violência injustificável, enquanto ativistas e políticos de ocasião lançam anátemas generalistas sobre a polícia, os governantes e o sistema em geral. E aproveitam para desencadear paixões que, na generalidade, acabam em desacatos, pilhagens e destruição, alimentados por uma agenda extremista que nada tem a ver com os protestos.

Os extremismos, de direita e de esquerda, lutam em busca do melhor efeito. E onde uns veem racismo, outros veem exagero. Para alguns, qualquer ato que misture cor de pele diferente, é um inevitável confronto. Para os demais, estaremos perante um eterno combate de supremacia em que apenas um lado é culpado. E à medida que se alimentam estas situações, elas contagiam outras áreas e permitem que cresçam os conflitos.

O racismo não é apenas sinónimo de conflitos raciais, é consequência de desigualdades, falta de respeito ou falta de consideração. Porque para alguns é difícil encarar a diferença.

Valem estas questões para Portugal. País de brandos costumes, associado à imagem de bem receber e de integração simples, à qual acresce a atitude dos governos recentes de promover a abertura a migrantes e lhes proporcionar meios fáceis de entrada e instalação. Apesar dos esforços, estes têm utilizado o país como trampolim para entrar na Europa, no acesso a sistemas sociais mais retributivos.

Nem sempre esta postura tem tido correspondência geral da sociedade. Em surdina, isto não é tão pacífico. Em situações específicas, assiste-se a atitudes menos amigáveis apenas porque os envolvidos são originariamente de cor, etnia ou religião diferente e dão azo a comportamentos inaceitáveis.

Alguns abandonam a sua postura do politicamente correto para lançarem opróbrios sobre estas situações conflituais. Aproveita a esquerda para qualificar qualquer situação de racista mesmo que sejam meros conflitos de vizinhança. Riposta a direita, generalizando as atitudes e comportamentos, recriando casos em que a diferença é sublimada e todos são tratados negativamente.

Os políticos de quadrantes mais extremistas usam a sua posição para assegurar maior protagonismo e conquistar novos aderentes. É a fase do populismo. Quando apontam para objetivos eleitorais em que se mostra importante conquistar eleitores moderados, suaviza-se o discurso, coloca-se a máscara do bom senso e da cândida atitude. Começam por proclamar que estão na primeira linha do combate contra a exclusão e os radicalismos e promovem o discurso da integração social, esquecendo-se momentaneamente do que afirmaram nos meses que antecederam. Esta integração passaria, em seu entender, por um distanciamento social significativo mais firme que o sanitário.

Um extremista que prega a moderação, continuando a ser apoiado por extremistas, por mais que se manifeste não muda. Mesmo convidado para casamento de conveniência. É apenas uma aparência que não ilude.

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