A Generative AI – ou Inteligência Artificial (IA) generativa – tem conquistado um espaço cada vez maior no tecido empresarial, revolucionando a forma como as empresas lidam com dados e informações.

Desde que, no final do ano passado, o ChatGPT se tornou no chatbot de IA com um crescimento mais rápido em termos de utilizadores, atingindo 100 milhões de users em apenas dois meses, a aplicação da IA generativa desenvolveu-se e expandiu-se para diversas áreas, tendo como principais features a produção e revisão de texto, brainstorming, estruturação de informações e outras funções, tendo sido até responsável pela revelação de segredos no mundo corporativo.

Mas, afinal, o que é a Generative AI? No fundo, trata-se de um tipo de sistema de Inteligência Artificial capaz de gerar textos, imagens ou outros tipos de conteúdos, tendo por base os famosos prompts (instruções dadas pelo utilizador). Os modelos de IA generativa aprendem os padrões e a estrutura dos dados através do treino e, em seguida, geram novos dados que possuem características semelhantes. Desta forma, estas ferramentas podem criar dados “novos” com padrões baseados nos dados utilizados no training, e é principalmente aí que este tipo de IA se diferencia da IA tradicional.

Nos últimos meses, o hype em torno da IA generativa tem sido tão grande que são inúmeras as aplicações do uso desta tecnologia já anunciadas ou a funcionar. Em Portugal, só no domínio público, o governo já anunciou, por exemplo, o uso do ChatGPT para auxiliar no atendimento da linha 112, bem como a ajuda ao utilizador, por parte do chatbot, no uso da Chave Móvel Digital.

Mas, no setor empresarial, a utilização da IA generativa tem-se tornado ainda mais relevante. Se, no espaço de poucos meses, já nos é possível gerar uma imagem ou editá-la de forma automática no Photoshop, bem como construir websites completos em segundos, no que diz respeito especificamente à realidade empresarial portuguesa, o uso da Generative AI já foi responsável, por exemplo, pela criação de uma empresa de vestuário que alcançou 100 mil euros de investimento ou pela utilização da tecnologia para um serviço pioneiro de spreadsheets.

Mas, embora seja verdade que muitas pessoas e empresas já saibam como utilizar o ChatGPT e outras ferramentas de IA generativa – uma vez que a maioria das soluções que apareceram no mercado utilizam, por detrás, o famoso chatbot – ,  é também sabido que ainda há um longo caminho pela frente no uso e aproveitamento adequado e disruptivo destas tools.

O primeiro passo será, talvez, entender que a Generative AI é diferente da IA tradicional e, na maioria dos casos, exige intervenção, aconselhamento, pequenos ajustes, design e engenharia de prompts. Esta é já, de resto, uma realidade, com a procura e contratação de Engenheiros de Prompts por parte de várias empresas, a nível nacional e global.

A consultoria nesta área permite-nos evitar erros comuns e tirar mais proveito da tecnologia. A IA generativa, embora muito mais avançada do que a tradicional, tem ainda as suas falhas, nomeadamente a falta de informação em tempo real (que pode levar-nos a resultados desatualizados ou desajustados), a criação de informação falsa (já que, na maioria das vezes, o uso incorreto de prompts é consequência de uma má utilização, porque as ferramentas de IA não sabem o que está bem ou o que está mal, sabem apenas que é plausível) e a dificuldade em entender jargão.

Mas, então, como é que a IA generativa pode ser usada na prática pelas empresas e organizações? Podemos olhar para a questão de uma outra perspetiva: que atividades, realizadas atualmente pelas organizações, podem ser traduzidas num prompt, para que as ferramentas de IA generativa possam ser aproveitadas e permitam auxiliar uma empresa?

Dando como exemplo um caso real onde queiramos analisar as avaliações de clientes sobre uma determinada empresa, o uso desta tecnologia pode facilmente ajudar na identificação dos principais pontos apontados na avaliação do cliente, na classificação dessa avaliação como um elogio ou uma reclamação e na relação dessa avaliação com um serviço ou produto.

As tecnologias de IA vão permitir às empresas ser muito mais rápidas a criar novas soluções, vão democratizar conhecimento (por exemplo, programação) e criar novos serviços e novas experiências para os seus clientes. Isto porque uma parte das tarefas de gestão de conhecimento e processos de organização, estruturação e no limite até interpretação da informação em texto livre utilizada nas empresas será da responsabilidade destes modelos e dos prompts que guiam as suas decisões.

A máxima que nas redes sociais tem sido muito referida de que as pessoas não vão ser substituídas por IA, mas sim por pessoas que usam IA é verídica, porque as pessoas vão poder aceder a mais conhecimento, mais rápido, mais organizado e não tem de fazer isso de forma manual, estes modelos de IA generativa auxiliam nesse processo de exploração, descoberta, brainstorming e desenvolvimento.

No fundo, a Generative AI é mais uma ferramenta que as empresas devem procurar utilizar e acompanhar – porque o mercado está a mudar a uma velocidade sem precedentes –, para melhorarem a forma como aproveitam os dados, identificar padrões e compreendem melhor os seus clientes. O potencial da IA generativa é grande; cabe às empresas explorá-lo da melhor forma, para impulsionar a inovação e obter vantagem competitiva no mercado atual.