A descoberta do online

O online deixou de ser “aquela coisa complexa do não sei se vai correr bem”, para se tornar na descoberta mais fantástica lá de casa. E ainda bem, pois ajuda a manter a economia viva.

Há anos que compro praticamente tudo online, com todos os benefícios que posso tirar dele. Não levanto nada em loja, porque a vantagem do online é precisamente não ter de lá ir, e quando preciso de trocar ou devolver também prefiro, sempre que possível, a recolha em casa.

O online é um mundo maravilhoso, que, na minha opinião, nada tira ao comércio de loja, tradicional ou não, pelo contrário. Quando se tem filhos, casa e trabalho para gerir não é possível atravessar a baixa lisboeta cheia de turistas para chegar àquela loja que tanto gosto. Se ela estiver online, posso comprar na mesma, chegar a tempo de ir buscar os meus filhos à escola, e a loja pode continuar cheia de turistas e esses mesmos turistas comprarem mais no seu site quando chegarem a casa e até a referenciar aos amigos.

Quem ainda não percebeu isto, não percebeu o mundo em que vivemos, ou melhor, o mundo em que vivíamos até aparecer esta pandemia que nos trocou as voltas à vida.

O mundo agora é outro, parado, feito de ruas vazias e lojas fechadas, até centros comerciais fechados. Alguém podia imaginar isto?! O mundo parou, mas nós continuamos a ter de comer, as crianças continuam a crescer e a precisar de roupa para vestir e agora, mais do que nunca, de distrações para ajudar a passar o tempo e deixarem os pais trabalhar.

Agora que todos temos de ficar em casa, o online passou a ser a melhor descoberta de sempre, mesmo já existindo há muitos anos em Portugal.

O Continente online, por exemplo, existe desde 2001. Há 19 anos que é possível fazer compras online nesta marca, mas até agora representava ainda uma fatia pequena das vendas desta insígnia. Até há pouco tempo, aliás, mais de 60% dos portugueses nunca tinha feito uma compra online, e a taxa de penetração no mercado português situava-se abaixo dos 40%, uma percentagem muito pequena, sobretudo quando comparada com países como Holanda ou Reino Unido, onde a percentagem chega a superar os 90%.

Por isso, não é de espantar que na minha última compra de supermercado o tempo de entrega seja de um mês. Portugal respondia até aqui aos pedidos dos portugueses que compravam online, um número que disparou em flecha desde que tivemos de ficar fechados em casa. Resta saber se esta descoberta veio para ficar ou se será apenas temporária.

Até agora, marcas e distribuidoras têm feito um excelente trabalho, quer em tempo de entrega quer em resposta, com a exceção dos supermercados online, onde a coisa está complicada. Mas não se esperaria que fosse de outra forma, até porque aí a complexidade logística de entrega é outra. Descobriram-se marcas novas, marketplaces portugueses e muitas outras plataformas para satisfazer as necessidades de todos.

O online deixou de ser “aquela coisa complexa do não sei se vai correr bem”, para se tornar na descoberta mais fantástica lá de casa. E ainda bem, porque é a única forma de manter a economia viva estando como todos temos de estar, em casa. Só há uma escolha que agora, mais do que em qualquer outra altura, deve imperar: comprar português.

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