A OCDE prevê que o crescimento da economia mundial abrande em 2026, ao passar de 3,2% este ano para 2,9% no próximo, com a atividade económica a enfrentar “perspetivas frágeis”, associadas ao impacto das tarifas no comércio global, seguido de uma “pequena recuperação” para 3,1% em 2027.
Portugal não escapará à incerteza geopolítica, mas parte bem posicionado nas projeções de crescimento do PIB em 2026. Até acelera ligeiramente em vez de abrandar, e destaca-se face aos restantes países do bloco europeu. É o sexto país que mais cresce, à frente das moribundas economias francesa e alemã.
As projeções mundiais baseiam-se no pressuposto técnico de que as tarifas bilaterais anunciadas em meados de novembro se manterão durante o resto do período de projeção, apesar dos desafios jurídicos em curso nos Estados Unidos.
Não é de estranhar, por isso, que a OCDE note que “a elevada incerteza geopolítica e política também continuará a pesar sobre a procura interna em muitas economias”, prevendo que as economias emergentes da Ásia continuem a ser as responsáveis pela maior parte do crescimento global. O crescimento da zona euro deverá também abrandar ligeiramente, passando de 1,3% em 2025 para 1,2% em 2026, antes de aumentar para 1,4% em 2027.
Já no caso de Portugal, 2026 será um ano de aceleração do PIB para 2,2% (a previsão do Governo é de 2,3%), desacelerando para 1,8% em 2027. A OCDE aponta que o crescimento sustentado dos salários e o emprego robusto aumentarão o consumo, especialmente porque a inflação e os custos do serviço da dívida deverão permanecer moderados e, ao mesmo tempo, as reduções no IRS e o crescimento dos salários irão apoiar os rendimentos das famílias, mas também abrandar a descida da inflação.
Ingredientes que estão na base da nossa economia “doce como um pastel de nata”, assim designada recentemente pela revista “The Economist”, que colocou a economia lusa com o melhor desempenho em 2025 entre 36 países maioritariamente desenvolvidos. Uma menção rara quando, há menos de 15 anos, Portugal estava à beira da bancarrota e foi forçado a um doloroso esforço de ajustamento económico, que gerou elevado desemprego e destruição de muitas empresas.
Mas nem todos os portugueses se regozijam com o lugar no topo do ranking da prestigiada revista britânica, porque não sentem estas melhorias ou porque o impulso da economia vem do PRR e a produtividade não tem aumentado. Criticam o facto de o turismo ser o principal motor da economia e o garrote da crise de habitação que sufoca os jovens em particular, apontando fraquezas à economia portuguesa.
Percebem-se as críticas. O ranking da “The Economist” deve ser motivo de celebração, mas não traduz o desafio económico e empresarial que Portugal enfrenta. O país precisa de um motor de mudança. É na vontade de reformar a administração pública, de atrair investimento direto estrangeiro e de apostar no tecido empresarial que se decidirá o futuro económico. Falta crescimento forte, em contraste com subidas anémicas do PIB em sucessivos anos de recordes de fundos, e alterações estruturais ao nível de produtividade.
A realidade não é assim tão doce. Ainda falta percorrer o caminho de maior prosperidade para poder brindar. E poder dizer: “venha daí um doce pastel de nata”, com o equilíbrio dos seus ingredientes, para este retângulo à beira-mar plantado.



