A economia será circular ou não será

O objetivo deve ser o de alcançar uma sociedade consciente, que não desperdice recursos naturais, mas crie oportunidades de negócio a partir da escassez e da resolução de problemas.

As alterações climáticas e a perda de biodiversidade são um dos maiores desafios do nosso tempo. Se tivermos em conta que o consumo intensivo de recursos irá aumentar, considerando o crescimento exponencial da população, estamos perante um enorme problema, porque os recursos são finitos e haverá competição para aceder a eles, provocando aumentos no preço e, em paralelo, aumento do impacto ambiental gerado pela sua extração ou produção.

Portanto, o compromisso com a economia circular, que tem como objetivo preservar, durante o maior tempo possível dentro da economia, o valor dos produtos, os componentes e os materiais, através de sistemas de produção e de consumo mais eficientes, é sem dúvida uma obrigação.

Os compradores de hoje querem que um produto seja bom e sustentável ao mesmo tempo, e isto representa um desafio também para o estabelecimento de indicadores de sustentabilidade que mostrem, ao mesmo tempo, ganhos ambientais, sociais e também económicos.

A indústria do turismo é um dos quatro setores mais relevantes e com maior potencial para a economia circular, devido às características desta atividade e ao facto de o consumidor comprar cada vez mais em termos ambientais e valorizar muito o facto de a marca respeitar o ambiente.

Esta exigência do consumidor coincide com as novas tendências e estilos de vida que colocam a preocupação com a saúde do planeta e o bem-estar das pessoas em primeiro plano. As empresas devem, portanto, satisfazer esta exigência social se quiserem continuar a vender e ter acesso a matérias-primas a um preço razoável, dado que o efeito da sua atividade sobre o ambiente é cada vez mais valorizado do que a própria marca.

A economia circular procura mitigar a escassez de recursos, prolongando a sua vida, num contexto em que o consumidor exigirá mais sustentabilidade, o que implica ser inovador sem perder de vista as exigências relativas ao desempenho dos produtos e serviços.

Projetos de economia circular no setor hoteleiro

No setor hoteleiro e mais especificamente no Grupo Accor e no âmbito do nosso programa de Responsabilidade Social Corporativa Acting Here, promovemos há já vários anos projetos de economia circular, com os quais apoiamos a mudança para uma economia eficiente na utilização dos recursos do planeta. Assim, em 2016 e após 16 meses de estudo e investigação exaustivos, a marca Novotel conseguiu converter 650 kg de têxteis de uniformes antigos e garrafas de plástico reciclado em 400 aventais para as equipas de F&B.

Um projeto pioneiro no setor, que também foi desenvolvido nos seus hotéis em Espanha e Portugal. Em França, a marca ibis styles, com a ajuda de uma empresa social que emprega pessoas com deficiência, está há um ano a reaproveitar as cascas de laranja do buffet do pequeno-almoço, que regressam ao hotel sob a forma de deliciosos frascos de compota de laranja.

E podemos ir mais longe… ao ponto de lançar Greet, uma marca hoteleira que, desde a sua conceção, aplica conceitos de economia circular, com equipamento feito de materiais reciclados. Sim, leu bem. Não podemos subestimar as oportunidades da economia circular! Apenas requer repensar os processos e alguma criatividade e inovação.

Passar de uma cultura de uso único, linear, a que estávamos habituados, para uma cultura circular é uma obrigação moral. Especialmente quando sabemos que só a UE poderia reduzir para metade as emissões de gases com efeito de estufa até 2050.

Uma melhor reciclagem dos materiais reduziria a pressão sobre a natureza causada pelo consumo. O objetivo deve ser o de alcançar uma sociedade consciente, que não desperdice recursos naturais, mas crie oportunidades de negócio a partir da escassez e da resolução de problemas. Porque a economia será circular ou simplesmente não será.

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