A estratégia de dados e a pressão para tomar decisões

Muito se tem dito e escrito sobre a eficácia das medidas adotadas por cada um dos países na resposta à pandemia COVID-19.

Muito se tem dito e escrito sobre a eficácia das medidas adotadas por cada um dos países na resposta à pandemia COVID-19. À medida que alastrava globalmente (todos desejamos que seja passado), entre outras, a resposta quase imediata foi a adoção do confinamento, tendo à partida como objetivo criar o maior atrito possível à galopante corrida do vírus, na expetativa de evitar o colapso dos sistemas nacionais de saúde e ganhar tempo para recolher e analisar dados sobre a situação, para de seguida tomar decisões.

O crescimento exponencial do vírus não é compatível com os sistemas económicos e de cuidados de saúde, que estão projetados para velocidades lineares e incrementais da procura. Os prestadores de cuidados de saúde têm de prever as necessidades de equipas, camas, máscaras e ventiladores. O retalho e as cadeias de distribuição têm de garantir a disponibilidade e entrega dos produtos e bens de consumo de primeira necessidade aos seus Clientes. Os operadores de telecomunicações têm de identificar os pontos de rede que precisam de mais capacidade para responder à alteração repentina dos hábitos de consumo, provocados, entre outros, pelo trabalho remoto e pelo fato de as famílias passarem mais, ou todo o, tempo em casa.

Nunca foi tão grande a pressão para produzir informação e conhecimento a partir dos dados para suportar decisões complexas que impactam países, negócios e principalmente a vida das pessoas. As organizações públicas e privadas, que a seu tempo iniciaram os seus programas de transformação para organizações Data-Driven, que olham para os dados como um ativo estratégico, estarão porventura durante este “tsunami” a assistir a um incremento exponencial da sua capacidade e agilidade para tomar decisões.

O processo de transformação para uma organização que coloca os dados no centro do suporte à estratégia de negócio, é longo, iterativo e requer resiliência organizacional, investimento em pessoas e tecnologia e acima de tudo um sponsorship muito forte do topo da organização.

Definir uma estratégia de dados pode parecer o primeiro passo óbvio quando se pretende iniciar o caminho para uma organização Data-Driven. No entanto, a realidade mostra-nos que, porventura pela pressão e ansiedade de resultados rápidos, é uma etapa negligenciada por grande parte das organizações.

Na definição da estratégia, entre outros, o foco pode ser: estabelecer uma capacidade de inovação para alavancar tecnologias emergentes; criar um mindset de “dados como um ativo”; alavancar a análise avançada de dados e inteligência artificial; alinhar a tecnologia e os dados para suportar novos modelos de negócio; criar sinergias dentro do negócio para promover a inovação.

Há quatro questões fundamentais na base da formulação da estratégia de dados: Qual é a visão para os dados? Onde estão os meus dados? Como são e o que representam os meus dados? Quem governa os meus dados e como? As questões definem por si só a framework de definição da estratégia de dados: visão / propósito, arquitetura, visualização / analytics e governança.

Em suma, a definição e implementação de uma estratégia de dados permite acrescentar valor ao negócio com mais perspetivas de análise, decisões mais informadas e disponibilizar a todos os stakeholders da organização dados pesquisáveis, acessíveis, confiáveis e escaláveis.

A COVID-19 provocou um momento de disrupção nunca visto, que as organizações devem aproveitar para analisar à luz da sua capacidade para tomar as decisões certas no momento certo.

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