O mundo mudou e as ambições de expansão territorial marcam agora a agenda da próxima década. O primeiro mês de presidência Trump fica marcado pelas ameaças de imposição de tarifas alfandegárias e de despedimentos em massa no governo americano, e pela viragem estratégica face aos aliados tradicionais.

Os últimos dados da economia americana apontam para um forte abrandamento em fevereiro, com o sentimento do consumidor a afundar e o indicador da atividade dos serviços a entrar em contração. A incerteza gerada pelas decisões executivas ou múltiplos anúncios revertidos horas depois estão a criar incerteza.

A mais recente aliança entre os EUA, Rússia e Coreia do Norte, nas Nações Unidas faz antever o pior a nível político – o fim das instituições supranacionais como farol orientador.

Ora, todas estas decisões têm impacto ao nível da perceção dos investidores, que começam a nivelar o EUA com a China. Muitos investidores evitaram investir no mercado chinês não só por conta da incerteza económica, mas também pelo receio de estarmos perante um governo mais intervencionista quanto às atividades privadas e ao lucro, por oposição aos EUA.

Ao estabelecerem uma nova estratégia de alianças, ainda que por interesses económicos relacionados com minérios, os EUA estão a dar luz verde aos investidores para desinvestirem nos EUA e considerarem antes o mercado chinês como barato e relativamente mais seguro.

Não admira, assim, que um dos mercados que mais valorizou desde que Trump tomou posse tenha sido o mercado chinês.

Os próprios investidores americanos também começam a acusar o desgaste. Os principais índices americanos estão sem ganhos, ou negativos, desde o início do ano. Por outro lado, os índices europeus valorizaram mais de 10%, no que é um voto de confiança no bloco económico europeu.

A mudança dos EUA coincide com o pico da sua hegemonia económica e financeira. Esta incerteza irá levar a Europa, a China e outros blocos económicos a desenvolverem os seus próprios sistemas de Inteligência Artificial e a confiarem menos na América.

Para a Europa, esta é uma oportunidade única, de se unir, integrar e investir em infraestruturas, no mercado intracomunitário, na defesa e nas suas condições únicas, diferenciadoras a nível social e ambiental.

A recente viragem ao centro-direita na Alemanha, com a promessa de estímulos à economia, redução de impostos e da regulação, traz um novo vigor à economia europeia, fortificando o papel do Euro, e preconizando mais integração.

A boa notícia é que a Europa pode ganhar!