Não é hoje possível não falar do aumento dos preços dos combustíveis, das suas causas a das medidas para o controlar ou contrariar.
Claro que a principal causa do aumento dos preços da gasolina e do gasóleo é a guerra que se desencadeou no Médio Oriente. Qualquer foco de instabilidade que aí se faça sentir e que tenha como resultado a redução das quantidades de petróleos que chegam ao mercado podem ter um impacto considerável. E neste caso, com o bloqueio do Estreito de Ormuz por parte do Irão, a situação torna-se mais séria porque a quantidade afectada representa a maior parte da produção da região – praticamente vinte por cento da produção mundial de petróleo, o que é muito, porque a procura mundial está actualmente equilibrada com a produção, e não existe no mercado capacidade de compensar a quebra.
Não acredito que a suspensão temporária das sanções à Rússia anunciada por Trump vá ter qualquer efeito. Só os Estados Unidos, a Europa e alguns (poucos) outros países é que decretaram sanções ao petróleo russo. O que resultou não foi a retirada do petróleo russo do mercado, mas sim a proibição da Rússia de vender à Europa a e aos Estados Unidos. E como o petróleo é facilmente transportável, o que a Europa deixou de poder comprar na Rússia foi comprar no Médio Oriente, e a China e a Índia aumentaram as suas compras à Rússia, embora a preços descontados.
Por isso, a suspensão das sanções não significa mais produto no mercado, nem sequer para os Estados Unidos, que actualmente são exportadores.
O bloqueio do estreito de Ormuz significa realmente uma redução importante da quantidade de petróleo no mercado, acentuando a concorrência entre países que mantêm o mesmo nível de procura para satisfazer uma oferta substancialmente reduzida. É isso que faz subir os preços.
Os produtos refinados são afectados pelas cotações internacionais do crude. Mas os seus preços são essencialmente definidos em cada momento pela oferta e procura desses produtos no mercado europeu. Por isso, os preços variam segundo ritmos e com amplitudes diferentes. E é imprevisível a forma como reagirão, porque reflectem a visão que cada um dos operadores tem do futuro do seu mercado particular a muito curto prazo.
Entretanto, as companhias de petróleo parecem lucrar com a situação. Por exemplo, a Galp acabou de apresentar os mais elevados resultados da sua história. Mas esses resultados são obtidos em mais de metade da actividade de produção da sua subsidiária brasileira, que vende esses produtos no mercado internacional e paga impostos sobre essas vendas. A Galp em Portugal tem de comprar o petróleo a esses mesmos preços. E os produtos refinados são vendidos à saída da refinaria a preços iguais aos que são praticados por todas as outras refinarias europeias, porque as refinarias competem entre si e o mercado reage ao cêntimo. Mas a esses preços são adicionados os impostos que produzem os preços finais que pagamos.
Gostaríamos que o Governo reduzisse estes impostos, que representam cerca de 50% do preço nas bombas de combustíveis. Mas são esses impostos que geram uma parte substancial das receitas do Orçamento, que paga outras necessidades que também são importantes, como sejam a saúde, a educação, a justiça, a defesa…
A situação só se regularizará quando o mercado voltar a ser abastecido com as quantidades de petróleo que estão retidas em armazenagem ou no subsolo do Médio Oriente, aguardando oportunidade para serem transportadas para a Europa.



