A história que temos para contar

Os “sábios” do Conselho da Europa pretendem que “a narrativa da descoberta do Novo Mundo seja questionada”, repensada e alterada, em função dos interesses atuais da integração e uniformização europeia.

A conquista de Ceuta, em 1415, e a passagem do cabo Bojador, em 1434, fizeram de Portugal o pioneiro da expansão europeia e, consequentemente, da globalização mundial. Esta permitiu-nos ligar continentes, de África à Ásia, passando pelas Américas, criar “pontes” onde antes havia desconhecimento e incerteza. Portugal ficou na história como descobridor, um povo sem medo e que quebrou o mito do mar – o mare nostrum – com a noção correta da largueza e grandeza da Terra.

A expansão portuguesa, com os descobrimentos a partir do século XV, transformou o imaginário europeu, e o mundo não mais voltaria a ser igual, depois de as primeiras caravelas sulcarem os mares do Atlântico e derrubarem mitos persistentes. Esse foi o período da história em que demos, indubitavelmente, o nosso maior contributo ao mundo.

Tenho muito orgulho na nossa História, que faz parte da nossa cultura num todo global, que marcou de forma indelével, e permitiu o desenvolvimento económico (com as novas rotas comerciais), o conhecimento (o avanço da cartografia), a integração (uns chamam só colonização) e a obtenção de riqueza no Mundo.

E é essencialmente por tudo isto que esta semana fiquei estupefacto e discordo em absoluto, ao ter conhecimento de um relatório do Conselho da Europa que avalia o racismo e intolerância nos países. Este vem recomendar que Portugal deve mudar os seus livros escolares de História.

O documento, entre vários problemas detetados, destaca que “as autoridades portuguesas devem reforçar a educação para os direitos humanos e igualdade”, e “repensar o ensino da História, especialmente a história das antigas colónias”. O dito Conselho vai mais longe ao defender que o nosso ensino deve passar pelo “papel de Portugal no desenvolvimento, e depois a abolição da escravatura”, além da “discriminação e violência contra as populações indígenas das suas colónias”.

Ou seja, os “sábios” do Conselho da Europa pretendem que “a narrativa da descoberta do Novo Mundo deva ser questionada”, repensada e alterada, em função dos interesses atuais da integração e uniformização europeia, inventando assim problemas e pondo em causa, a riqueza da nossa história, do nosso povo ou, melhor, do mundo.

Bom seria que estes ditos “sábios europeus” avaliassem também os seus próprios países e culturas de origem, desde a França aos países escandinavos, da Polónia à Inglaterra, da Espanha à Roménia ou Itália, e facilmente se perceberia que estão todos em situação idêntica ou pior, no que concerne às questões que querem que Portugal corrija na sua história.

A vaidade e o orgulho na história de Portugal fazem parte da nossa cultura, mas não é só passado, é presente e tem futuro, representando nas suas atividades uma incorporação económica atual relevante. A nossa História e o valor da Cultura como economia e suas atividades, estima-se que represente 3% por cento da riqueza gerada em Portugal (quase quatro mil milhões de euros) e dá emprego a cerca de 120 mil pessoas.

Portugal é um exemplo de integração racial e de tolerância étnica face aos demais países europeus, e não pode nem deve permitir que se distorça a valia da nossa história. Por tudo e por todos, peço a estes ditos “sábios” que deixem definitivamente a história de Portugal em paz!

 

 

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