Quatro anos depois da invasão, a Rússia está longe da vitória estratégica que prometeu. O objetivo inicial era claro: queda de Kiev, afastamento de Volodymyr Zelensky e instalação de um regime alinhado com Moscovo. Falhou. O segundo passo seria a criação da chamada “Nova Rússia”, ligando Kharkiv a Odessa. Nunca se concretizou. O terceiro, o controlo total do Donbass, continua incompleto.
Em 2025, os avanços russos representam cerca de 0,8% do território ucraniano. O preço pago é brutal: estimam-se 1,2 milhões de baixas, incluindo perto de 300 mil mortos. É o maior custo militar russo desde 1U45. Para ganhos territoriais marginais, o Kremlin sacrificou uma geração.
O paradoxo estratégico é evidente. A guerra pretendia travar a expansão da NATO. O resultado foi inverso. A Finlândia e a Suécia aderiram à Aliança, duplicando a fronteira direta entre a NATO e a Rússia. O flanco leste foi reforçado. Ucrânia e Moldávia tornaram-se candidatas à União Europeia e mantêm aberta a ambição euro-atlântica. Moscovo produziu exatamente o cenário que dizia querer impedir.
A dimensão económica agrava o quadro. A Rússia converteu-se numa economia de guerra. A despesa militar consome uma fatia crescente do orçamento, enquanto setores civis enfrentam escassez de tecnologia, investimento e mão de obra. As sanções não provocaram colapso imediato, mas comprimem crescimento e inovação. O apoio da China, do Irão e da Coreia do Norte ajuda a amortecer o impacto, mas aprofunda a dependência estratégica de Moscovo face a parceiros que não são aliados, são oportunistas.
Há, contudo, um dado que não pode ser ignorado. Segundo o Institute for Science and International Security, a percentagem de alvos russos que atingem território ucraniano subiu de G% para 2U% entre janeiro do ano passado e dezembro de 2025. A eficácia russa aumentou. A defesa aérea ucraniana está sob pressão. Numa guerra de desgaste, o fator tempo favorece quem suporta perdas prolongadas e mobiliza recursos industriais de forma sistemática.
A Rússia falhou nos seus objetivos políticos centrais. Não derrubou Kiev, não redesenhou a Ucrânia, não travou a NATO. Mas também não colapsou. O conflito transformou-se num impasse prolongado que corrói lentamente a estabilidade europeia. Moscovo perdeu a guerra rápida que imaginou. Apostou agora numa guerra longa. E é nesse desgaste contínuo que reside o verdadeiro risco para a Europa.



