Um grupo de professores universitários assinou um manifesto, sugerindo a proibição de utilização de ferramentas de inteligência artificial generativa, nas universidades. Contrariamente ao que se possa pensar, esta iniciativa não constitui nenhuma surpresa, para mim.
As ideologias políticas passaram a sobrepor-se à inovação criativa e plural e à criação As universidades portuguesas, mesmo as mais conceituadas, têm vindo a percorrer um caminho preocupante, na garantia da isenção, independência, transparência e qualidade de ensino dos nossos jovens.de conhecimento, o “inbreeding” passou a ser a norma, com a evolução aluno, mestre, doutor, professor auxiliar, professor associado, professor catedrático, sempre na mesma universidade.
A avaliação dos alunos, que é a actividade mais antipática para qualquer professor, mas que é indispensável, por força de mecanismos de justiça e de reputação da própria universidade, foi sendo objecto de facilitismo progressivo.
Nos mais de trinta anos, que leccionei, no ISCTE, uma disciplina da licenciatura e uma disciplina de mestrado, realizei, sempre, provas escritas e orais, presenciais, tornando impossível a fraude, por parte dos alunos. Nos cursos executivos, não há em regra, avaliação, e o mercado tem conhecimento desta realidade.
Se adoptarmos esta postura, damos as boa- vindas à inteligência artificial (IA) às nossas universidades, que vai permitir melhorar, de modo significativo, a aprendizagem, a descoberta de novas fontes de informação e uma discussão mais rica dos temas em análise. E promoverá, também, o amadurecimento dos alunos universitários, na fase do julgamento das propostas da IA.
Mas, diga-se, também, em abono da verdade, que, para que isto seja possível, é necessário libertar os professores da enorme carga administrativa com que são premiados todos os anos. Este é o caminho para as nossas universidades, e não a proibição da IA.
Mas reconheço que, professores preguiçosos, irresponsáveis e incompetentes, vão permitir a fraude por utilização da IA, diminuindo a qualidade da aprendizagem, criando situações de injustiça entre os alunos e, no limite, pondo em causa a reputação da própria universidade.
O desafio das nossas universidades, que devem fomentar a utilização das ferramentas de IA generativa, é simples: expulsar das universidades este tipo de professores e acarinhar os que encaram a avaliação duma forma séria, justa, detalhada e estruturada.



