A moeda em risco

Quanto menor for a destruição do tecido produtivo, mais rápida será a recuperação. Mas os bancos centrais parecem dispostos a testar a credibilidade das moedas fiduciárias para atingir esse objetivo.

Quem segue mais de perto o percurso dos bancos centrais está naturalmente inquieto com o experimentalismo monetário que tem sido implementado, sobretudo neste século. O facto de a emissão monetária não ter uma correspondência tangível sempre causou alguma apreensão.

Haveria sempre a possibilidade de, um dia, poderem ser criadas quantidades de moeda que fossem demasiadamente desproporcionais ao stock de riqueza, mesmo que este seja muito difícil de medir, particularmente num contexto de destruição económica evidente como o atual.

Perante a pandemia covid-19, a resposta está a ser essencialmente monetária. Seja diretamente, através da compra de ativos em mercado, seja indiretamente, permitindo financiamento abundante e barato aos governos. A este propósito, a Reserva Federal dos EUA disse recentemente que o seu “poder de fogo não tem limite”. É uma afirmação poderosa e transmite aos mercados que se criará tanto dinheiro quanto se considerar necessário para reanimar a economia, evitando falências no processo.

Quanto menor for a destruição do tecido produtivo – leia-se empresas e empregos – mais rápida será a recuperação e a normalização da atividade. Só que, para atingir esse objetivo, os bancos centrais parecem dispostos a testar a credibilidade das moedas fiduciárias. É uma estratégia com riscos.

Obviamente, a autoridade do Estado tratará de impor as suas soluções, mas a História tem exemplos de como o declínio de uma civilização andou de mãos dadas com a decadência da sua moeda. Por outro lado, esta parece ser uma estratégia apenas ao alcance das economias de “moeda forte”. As restantes ficarão ainda mais dependentes e fragilizadas.

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