“A partir de agora as nossas emissões de obrigações vão ser sempre verdes”, diz CFO da REN

“Somos uma empresa que está no coração do processo de transição energética, a possibilitar a modificação da nossa matriz de geração para uma matriz mais renovável e todo estes investimentos que fazemos são os que beneficiam deste refinanciamento”, disse Gonçalo Morais Soares, em entrevista telefónica.

A estreia foi positiva e a REN -Redes Energéticas Nacionais vai passar a emitir apenas obrigações ‘verdes’, de forma a alinhar a estratégia financeira com a estratégia de sustentabilidade da empresa, afirmou esta sexta-feira Gonçalo Morais Soares, chief financial officer da gestora de redes elétricas.

A REN concluiu a sua primeira emissão de obrigações ‘verdes’, com a colocação de 300 milhões de euros em dívida com maturidade a oito anos, tendo pago uma taxa de juro de 0,5%.

Em declarações ao Jornal Económico, Morais Soares disse que as diferenças entre uma emissão convencional e uma ‘verde’ têm mais a ver com o processo de preparação da estrutura antes da validação do reporting e da certificação.

“Isso foi feito no início do ano e desde essa altura cumprimos as regras todas e as validações que nos permitiram uma emissão verdes”, disse. “O que é diferente é que os investidores são um bocado diferentes, específicos, são investidores que estão muito interessados em certa componentes muito especiais relacionadas com  a sustentabilidade”.

O CFO adiantou que foi uma oportunidade que para alinhar a estratégia financeira e os investidores de dívida com a estratégia de empresa de sustentabilidade.

“Somos uma empresa que está no coração do processo de transição energética, a possibilitar a modificação da nossa matriz de geração para uma matriz mais renovável e todo estes investimentos que fazemos são os que beneficiam deste refinanciamento”, disse.

Por essa razão “a partir de agora em frente, as emissões de obrigações que procurarmos fazer serão sempre verdes”, sublinhou. “Quando voltarmos ao mercado voltaremos neste registo”.

Procura surpreendeu

Gonçalo Morais Soares afirmou que a empresa ficou surpreendida pelo nível da procura na emissão, que superou a oferta em mais de cinco vezes e permitiu privilegiar o investidores focados nas sustentabilidade.

“Exactamente por ser uma emissão verde o processo de alocação que fazemos dos investidores tentamos priviligiar esses investidores em concreto, que ficaram com mais de 60% do total da emissão”, explicou.

A oferta teve uma grande expressão geográfica, as maiores foram a Alemnha e França, com Portugal em terceiro e seguido da Suiça. “Teve um peso de mais de metade de gestores de ativos, o que também é bom”, adiantou.

“Essa procura, tanto na qualidade como na quantidade permitiu-nos baixar o preço. De manhã tinhamos saído com um spread indicativo de 85 a 90 basis points acima das midswaps e pudemos baixar para um spread de 60 basis points, um cupão de 0,6%”, adiantou.

Morais Soares disse que a emissão não tem um impacto imediato em termos de poupança de custos, “mas objectivo era mais de manter a liquidez”.

“Temos uma política financiera muito conservadora e procuramos ter liquidez de mais dois anos das necessidades de refinanciamento, e esta obrigação era precisamente para garantir manter essa almofada financeira”, concluiu.

 

 

[Em atualização]

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