A novel líder da Iniciativa Liberal (IL), resolveu dar uma prova de vida, com opiniões em todas as matérias, onde defendeu a privatização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), com o argumento de que os portugueses não beneficiam em nada, por ser pública.

Esqueceu-se de referir que benefícios recomendaria.

Alguns que ocorreram no passado, são pouco recomendáveis.

Esta afirmação surge no momento em que todo o sector financeiro português respirou de alívio, com a notícia de que o Novo Banco não seria adquirido por um banco espanhol, e em que a CGD é muito bem gerida, com uma comissão executiva sem boys nem girls.

O sector financeiro é muito diferente de outros sectores da área económica, é um sector muito regulado, que interage com todos os outros sectores económicos e em que é fundamental preservar a independência nacional.

A presença esmagadora da banca espanhola no mercado português, é, já, uma preocupação, pela potencial distorção do nosso mercado, em favor da maior presença de empresas espanholas, com vantagens sobre as nossas.

A CGD é, neste momento, a única instituição bancária que não é detida e controlada por capitais estrangeiros, a sua privatização, por ausência de investidores nacionais, iria aumentar a influência dos bancos estrangeiros, com reflexos negativos para os restantes sectores da nossa economia.

Nunca apoiarei processos de privatização que ponham em causa interesses nacionais vitais, em particular, no que se refere a infraestruturas fundamentais para a segurança e consolidação de sectores económicos essenciais.

E estão nesta situação a nossa infraestrutura da rede eléctrica nacional, controlada por interesses chineses e a nossa infraestrutura aeroportuária, controlada por franceses.

Continuarei, sempre, a defender a reversão parcial destas privatizações, com o Estado a ter uma palavra fundamental na definição da estratégia destas infraestruturas.

Em contrapartida, vejo uma vantagem clara na privatização da maioria do capital da TAP, protegendo, definitivamente, os consumidores de continuarem a injectar dinheiro, numa empresa que actua em concorrência.

Espero que a IL, que é útil para a consolidação dum modelo de democracia europeu, no nosso país, entenda que o seu eleitorado, a geração dos meus filhos, tecnicamente muito bem preparada, convive mal com afirmações pouco estruturadas.