O setor agrícola em Portugal está, hoje, muito longe da ideia que algumas pessoas ainda possam ter do agricultor e respetiva enxada. Ao longo dos últimos 30 anos, a revolução tem sido contínua e determinada, tendo levado a que recursos tecnológicos inovadores, como a inteligência artificial ou a ciência de dados, passassem a fazer parte das rotinas de quem trabalha a terra. Mas esta realidade parece não chegar ao conhecimento da sociedade, muito por causa da comunicação que continua a falhar e a centrar-se, sobretudo, nas más notícias, o que prejudica a imagem e a atratividade da atividade. Isto mesmo ficou patente nas duas conferências que o banco Santander promoveu na 10.ª edição da Agroglobal, evento que se realizou entre os dias 9 e 11 de setembro, no CNEMA – Centro Nacional de Exposições, em Santarém.
Aprender a pensar, inovar e arriscar
Perceber como é que estão a ser preparados os futuros profissionais da agricultura em Portugal foi o objetivo da primeira conferência, realizada na manhã do dia 10 de setembro, subordinada ao tema “Agrofuturo – Cultivar Competências”. A moderar o debate, Paula Cordeiro, responsável de Media Relations do Santander, quis percebê-lo junto de Margarida Oliveira, diretora da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Santarém. Para a docente, “a grande missão do ensino superior é ensinar a pensar”, sendo sua convicção que “se fizermos o nosso trabalho convenientemente, os nossos estudantes, quando entram no mercado, conseguem adaptar-se”. Prova disso é o facto de ver antigos estudantes da escola que dirige “muito bem adaptados e muitos deles a liderar empresas”, numa altura em que a agricultura “está em grande transformação”. “Temos centenas de profissionais no mercado que estão a dar cartas, inclusive nas áreas de excelência da Agricultura, como a digitalização ou a mecanização agrícola”, afirmou.
Quem também está a dar cartas e a contribuir para o setor agrícola com uma ideia inovadora é Tiago Neves, fundador e CEO da startup Fibersight, e vencedor dos Santander X Awards Startup 2024, graças a um projeto que permite, através de fibra ótica, medir a temperatura e a humidade em milhares de pontos simultaneamente, ao longo de quilómetros de extensão. “Procurar o que ainda não foi feito” corresponde, nas suas palavras, à alavanca que lhe permitiu o desenvolvimento da tecnologia, e foi esse o convite que aproveitou para deixar a outros jovens empreendedores como ele, desafiando-os a “não ter medo de arriscar”. “Falhar é normal no dia a dia, em qualquer área, e se não falharmos, não vamos perceber qual é o caminho certo”, resumiu.
Comunicar melhor para revolucionar mais
Falando de ideias inovadoras e tecnologias emergentes, Paula Cordeiro quis saber qual delas Gonçalo Caleia Rodrigues, vice-presidente do Instituto Superior de Agronomia – Universidade de Lisboa, escolheria para mudar radicalmente a produção agrícola em Portugal. A resposta do antigo secretário de Estado da Agricultura apontou para a área que momentos antes tinha referido, quando constatou que a agricultura costuma ser vista com “maus olhos” pela opinião pública. “A maior ferramenta é aquela que todos pensamos que temos, mas que na realidade não dominamos, que é a capacidade de comunicar”, disse, acrescentado que “o setor agrícola não sabe comunicar”. Nas suas palavras, a agricultura só aparece nas notícias quando há fenómenos atmosféricos extremos e “é preciso o Estado dar um apoio, os famosos subsídios”. “É preciso dizer que somos capazes, somos competentes. Claro que servimos o propósito maior de alimentar a população, mas também estamos aqui para ganhar dinheiro”, afirmou, lamentando, ao mesmo tempo, que “a opinião pública não faz a mínima ideia” do que se faz no setor agrícola, referindo-se ao uso de tecnologia de vanguarda.
Também presente na conferência, Inês Rocha de Gouveia, Presidente da Fundação Santander, sublinhou que a organização que dirige promove competências que podem ajudar os jovens agricultores a contribuir para a transformação do setor. “A Fundação Santander fomenta que os jovens que escolhem este setor desenvolvam as competências do futuro”, afirmou, dando como exemplos “a comunicação, a colaboração, o sentido crítico, a capacidade de resolver problemas complexos ou a resiliência”. Na sua perspetiva, “tem de ser tudo fomentado num ambiente seguro, porque, de facto, errar é importante”. A responsável lembrou os cursos da Open Academy, que são programas abertos a toda a gente, de todas as idades, e gratuitos. Até ao momento mais de 410 mil pessoas se registaram na plataforma, reforçando competências nas áreas da liderança, digitalização, inteligência artificial, entre outras.
A terminar, Inês Rocha de Gouveia realçou que “cada vez que temos mais conhecimento, devemos ter missões e propósitos maiores”, e é isso precisamente que é estimulado no Santander X. “Porque a vida faz-se até ao último dia, temos de continuar a aprender, temos de ser curiosos e agarrar as oportunidades e crescermos”, concluiu.
Este conteúdo foi produzido em parceria com o Santander.
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