Os desafios associados à gestão dos riscos climáticos e de sustentabilidade não incidem apenas sobre as grandes empresas. Na realidade, as Pequenas e Médias Empresas (PME) também serão pressionadas de forma crescente dentro 18 meses pelo mercado.

Em 2026, todas as grandes empresas, cotadas e não cotadas, terão de publicar anualmente um relatório único de gestão que inclui uma secção sobre sustentabilidade. Nesta componente de sustentabilidade, a empresa tem de seguir as linhas orientadoras da Comissão Europeia, existindo para esse fim 12 standards.

Assim, a empresa terá de reportar anualmente um conjunto de informação e práticas de sustentabilidade. A nível ambiental, terá de reportar sobre as suas práticas e compromissos de mitigação e adaptação climática, poluição, biodiversidade, economia circular e água e recursos marinhos. A nível social, terá de conseguir explicar a sua gestão, práticas e compromissos para com os colaboradores, para com a sua cadeia de valor (fornecedores), comunidades e consumidores finais dos produtos e serviços que vende.

Ao nível da chamada Governação, e apenas um exemplo, as empresas que não tenham ainda quaisquer políticas anti-corrupção ou anti-suborno consistentes com a convenção das Nações Unidas contra a corrupção, terão de divulgar se têm ou não um plano para a implementação destas políticas, e o calendário do mesmo.

As grandes empresas também terão de divulgar a forma como interagem com a sua cadeia de valor. Tal significa que a empresa tem de explicar qual é a sua estratégia relativamente ao seu relacionamento com fornecedores, no que se relaciona com os riscos de sustentabilidade ao longo da sua cadeia de valor; se tem ou não um conjunto de critérios ambientais e sociais quando analisa e escolhe os seus fornecedores, e quais as práticas que a grande empresa tem para apoiar os fornecedores mais vulneráveis e ajudá-los a melhorar o seu desempenho social e ambiental.

Esta obrigatoriedade irá levar a que, também as PME (não cotadas), que não são obrigadas “por lei” a reportar os temas de sustentabilidade, passem a ser pressionadas pelos seus clientes para terem, e divulgarem, estas boas práticas.

É importante as PME compreenderem que todas as grandes empresas (que são os seus clientes) irão, tendencialmente, ter critérios próprios de sustentabilidade para selecionar os seus fornecedores. Como vimos, é obrigatório as empresas reportarem se têm ou não esta medida, pelo que a maioria irá implementá-la.

Estes critérios irão analisar e selecionar os fornecedores que conseguirem comprovar, por exemplo, que têm uma estratégia e plano de ação para a transição energética, políticas de combate à corrupção, informação sobre o seu desempenho ambiental, social e de governação (ESG na sigla internacional) e que a conseguem divulgar de forma clara e transparente.

As grandes empresas que têm de reportar estes temas em 2026 devem compreender que adaptar os seus sistemas de gestão à gestão sustentável demora algum tempo, é desafiante, incontornável, e quanto mais cedo o começarem a fazer, melhor.

As PME devem compreender que, apesar de não serem obrigadas por lei a ter essas boas práticas, os seus clientes vão ser obrigados a divulgar de que forma incorporam os temas da sustentabilidade ao longo da sua cadeia de valor, pelo que a seleção dos fornecedores passará também pelas boas práticas que estes possam ter.

O IAPMEI tem vindo a divulgar no seu site um conjunto de informações sobre estes temas, que podem ajudar as PME a compreender o que devem desde já fazer para transformarem os temas da sustentabilidade em fatores diferenciadores e competitivos. Os primeiros a conseguirem demonstrar as suas boas práticas, serão aqueles que estabelecerão relacionamentos mais próximos e sólidos com os seus clientes que são as grandes empresas europeias.