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Abanca com lucros de 902,4 milhões em 2025 e Portugal representa 16% do negócio

Juan Carlos Escotet não descarta novas aquisições, mas para já está concentrado no crescimento do negócio em Portugal, após a integração do EuroBic. O chairman do grupo Abanca destacou ainda que a banca em Portugal tem a melhor da rentabilidade da Europa. Juan Carlos Escotet desvendou que o lucro em Portugal, ajustando à integração que foi feita, ascendeu a 110,3 milhões.
28 Janeiro 2026, 10h52

Juan Carlos Escotet, apresentou os resultados do Abanca de 2025, que ascenderam a 902,4 milhões de euros, o que traduz uma rentabilidade ROTE (rentabilidade dos ativos tangíveis) de 15,1%.

O banco destaca que tem um rácio de capital CET1 de 14,1%, acima dos 13% definidos como objetivo, tendo crescido 130 pontos base . O rácio de capital total ascende a 18,9%.

Por outro lado o rácio MREL (almofada de capital para usar em caso de bail-in) situa-se no nível de 24,3%, o que representa uma margem de
850 milhões de euros.

O banco espanhol que comprou o EuroBic reportou um “volume de negócios” (crédito e recursos) de 136 mil milhões de euros, dos quais 16% são originados em Portugal. Este volume de negócios do grupo traduz um crescimento de 6,1%, acima da média do mercado, ganhando assim quota de mercado tanto no negócio de financiamento como na prestação de serviços.

O Abanca reporta que volume de negócios representa uma quota de mercado de 3,3% em Espanha e de 3,2% em Portugal.

Juan Carlos Escotet desvendou que o lucro em Portugal, ajustando à integração que foi feita, ascendeu a 110,3 milhões de euros.

“A banca em Portugal tem a melhor da rentabilidade da Europa”

Juan Carlos Escotet, na conferência de imprensa, não descarta novas aquisições, mas para já está concentrado no crescimento do negócio em Portugal, após a integração do EuroBic. “O crescimento inorgânico é um eixo estratégico”, sublinhou.

O chairman do grupo Abanca destacou mesmo que a banca em Portugal “tem a melhor da rentabilidade da Europa, o que é admirável”.

A “integração tecnológica do EuroBic passa a dar uma capacidade ao Abanca em Portugal o que melhora a sua capacidade competitiva e de crescimento orgânico”.

Cumprindo o calendário previsto, o Abanca concluiu no último trimestre do ano a integração do EuroBic, uma operação considerada bem-sucedida, que reforça as suas capacidades de crescimento no país.

Na conferência de imprensa, o board do banco explicou que o processo de redução de pessoal e de balcões em Portugal segue como planeado. “Fechámos 20 balcões [que estavam em overlaping] e já estamos num processo de abertura de novos balcões resultantes de unificação de agências”, disse o presidente do Abanca.

O programa de rescisões amigáveis está a ser concluído. “O número de trabalhadores no banco em Portugal ascende a 1.700 e o número de pessoas que trabalha no Grupo Abanca em Portugal é de 2.015”, disse Juan Carlos Escotet que sublinhou que “não haverá novos processos de rescisões, pelo contrário estamos a detetar talento em Portugal nas áreas importantes para o nosso plano estratégico”.

Sobre o anterior presidente, José Azevedo Pereira, que era CEO do Eurobic, o Abanca disse que saiu a 31 de dezembro. Recorde-se que vai ser o futuro presidente do Banco Montepio.

Rácio de eficiência de 50,8% e 160 mil

Na conta de resultados, o Abanca reportou que a margem de juros mantém o seu papel como motor do resultado e melhorou no último trimestre do ano o que o Chairman do Abanca atribuiu ao dinamismo comercial e à boa gestão de preços.

Por seu lado, as receitas pela prestação de serviços (comissões) reforçaram a geração de resultados core, após crescerem 13,5% no ano. Todos os seus componentes contribuem para este impulso, com crescimentos de 8,8% em contratos de seguros, 7,5% em serviços bancários, 10,4% em cobranças e pagamentos e 18,7% em fora de balanço e seguros.

Os custos operacionais “reduzem-se trimestre após trimestre, graças à obtenção de sinergias após integrações e à melhoria da eficiência (cost-to-income),  que tem vindo a melhorar até aos 50,8% no final do ano (49,0% no 4.º trimestre isolado)”, refere o banco. Apesar da melhoria, um rácio de custos sobre proveitos de 50,8% do Abanca não é um ponto positivo.

Saindo da Demonstração de Resultados e entrando no Balanço, o banco diz que o exercício encerrou com “um forte ritmo de captação de novos clientes em Espanha e Portugal”.

Um total de 160 mil novos clientes juntou-se à base de clientes do Abanca, com mais de 70% dessas adesões a ocorrerem fora da área em que é líder de mercado, o que representa um aumento de 17% em relação ao ano anterior, destaca o grupo com sede na Galiza.

Portugal representa já 16% do volume de negócios total do grupo.

As novas formalizações de crédito a particulares e empresas ultrapassaram os 7.000 milhões de euros no ano, mais do dobro do que em 2024, pelo que a quota de formalizações cresceu 82 pontos base no mercado português. Já o B100, a marca de banca digital do Abanca, também “demonstrou uma elevada capacidade de crescimento e atração de novos clientes”.

No que toca ao crédito a clientes situou-se em 52.939 milhões de euros, enquanto os recursos totais (dentro e fora do Balanço) atingiram os 83.339 milhões de euros.

A carteira de crédito em situação normal (sem sinistralidade) aumentou 7,7%, para 52.662 milhões de euros.

“O crédito aos clientes está claramente centrado no setor privado, pois 84% do total corresponde ao conjunto de empresas e particulares”, diz o banco que destaca os crescimentos da carteira de hipotecas, de 6,5% no ano, e do crédito ao consumo, de 10,1%.

Rácio de crédito malparado em Portugal é de 2,2%

No que toca à qualidade da carteira, o Abanca reporta uma taxa de incumprimento de 2,1%, melhorando a meta de 2,5%, uma taxa de cobertura desses ativos de 83,7% e 116 milhões de euros de excedente sobre provisões contabilísticas. O banco diz que mantém “a sua habitual prudência na identificação de riscos e na constituição de provisões, apesar dos seus elevados níveis de cobertura”.

“O rácio NPL situa-se em 2,1%, com homogeneidade entre Espanha, com 2,0%, e Portugal, com 2,2%. O rácio NPA, por sua vez, situa-se em 2,7%, enquanto os adjudicados representam apenas 0,1% do balanço”, refere o banco.

O custo do risco mantém-se controlado, num nível de 0,21%.

A captação de recursos de clientes apresentou um dinamismo semelhante, já que cresceram 5,4%, até 83.339 milhões.

Na estrutura de recursos de clientes do banco, 76% do total corresponde a saldos à vista e a prazo, enquanto os restantes 24% correspondem a recursos fora do balanço, explica a instituição financeira.

“A incorporação de novos clientes permitiu o crescimento dos depósitos”, refere o banco. A carteira do Abanca sublinha tem um perfil claramente de retalho com 94% dos depósitos a corresponderem a famílias e empresas, e a maioria têm um saldo inferior a 100.000 euros. Os saldos à vista aumentaram 6,3% em relação a dezembro de 2024.

“A sua estrutura de financiamento é claramente de retalho: 86% de depósitos de retalho e um rácio LTD de retalho de 83,6%. Em termos de liquidez, o banco apresenta rácios de 142% em financiamento líquido estável (NSFR) e de 207% em cobertura de liquidez (LCR)”, sublinha o grupo.

Em matéria de liquidez, o Abanca reporta ainda que dispõe de 23.294 milhões de euros em ativos líquidos, valor equivalente a 4,9 vezes os seus vencimentos previstos de emissões. Dispõe ainda de uma capacidade de emissão de cédulas de 7.100 milhões de euros, o que eleva a sua posição total para 30.393 milhões de euros. Os ativos líquidos de alta qualidade (HQLA) totalizam 15.418 milhões de euros.

O grupo registou também aumentos nos recursos fora de balanço e nos prémios de seguros. Com um crescimento de 22,6% no ano, os recursos fora de balanço atingiram 20.003 milhões de euros, com uma quota de mercado de 7,0% nas subscrições de fundos de
investimento. Por sua vez, os prémios de seguros gerais e de vida risco aumentaram 13,0% no mesmo período, para 661 milhões de euros. Destacam-se as contribuições dos produtos de seguros de assistência funerária (crescimento de 46%), vida risco (17%), empresas (15%) e proteção de pagamentos (11%).

O Abanca diz que após o encerramento do exercício de 2025, continua com o desenvolvimento, conforme previsto, do seu Plano Estratégico 2025-2027 e que mantém-se acima de todos os seus objetivos. “Usando como alavanca a eficiência e a utilização da IA, o grupo estabeleceu três prioridades estratégicas para garantir o cumprimento dos seus objetivos: o impulso ao crescimento diversificado como chave para uma rentabilidade sustentada, a proximidade e fidelização do cliente e a transformação eficiente e recorrente, tudo isto orientado para as pessoas e o ambiente em que desenvolve a sua atividade”, revela o banco.

O board do Abanca não tem a entrada em bolsa no seu plano estratégico para 2026, segundo disse Juan Carlos Escotet na fase de perguntas e respostas.

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