O grupo Abanca apresentou hoje em conferência de imprensa lucros no primeiro semestre 427,1 milhões de euros, traduzindo uma rentabilidade medida pelo ROTE (Rentabilidade dos Capitais Próprios Tangíveis) de 14,5%.
No ano passado no mesmo período o banco registou um lucro de 412 milhões de euros, com uma rentabilidade de 16,9% (ROTE). Ou seja, os lucros subiram, mas ainda assim a rentabilidade caiu. No segundo semestre de 2024 o banco espanhol comprou o português EuroBic, cujos resultados contribuíram com 27,1 milhões para este resultado consolidado.
A margem financeira cresceu 4,5% e as comissões aumentaram 18,8%, o que levou a um crescimento de 6,9% da margem base, até aos 984,4 milhões de euros.
Os custos de exploração, em termos comparáveis (ou seja, excluindo o efeito do EuroBic), cresceram abaixo da inflação, apesar do banco manter o seu esforço de investimento em tecnologia: nos últimos dois anos foram alocados 165 milhões de euros ao reforço das infraestruturas e da segurança.
A combinação entre o crescimento das receitas recorrentes e o controlo dos gastos – também influenciados pela incorporação do EuroBic no perímetro de consolidação – permite situar o rácio de eficiência em 51,9%, o que é um dos mais altos do setor. O presidente Juan Carlos Escotet afirmou que uma das prioridades do grupo é melhorar a eficiência.
O grupo que em Portugal comprou o EuroBic, continua a reduzir o seu rácio de morosidade, mantendo ao mesmo tempo níveis elevados de cobertura. O crédito em incumprimento diminuiu 1,4% em termos homólogos, excluindo o efeito da incorporação do EuroBic, o que coloca a o rácio de crédito malparado (NPL) em 2,3%. A taxa de cobertura destes ativos aumentou significativamente, atingindo os 82,6%, quase 12 p.p. acima da média do sistema (último dado disponível).
O rácio Texas é de 21,6%.
O Abanca diz que “mantém uma política rigorosa de prudência na constituição de provisões, apesar dos seus sólidos níveis de cobertura”. O custo do risco mantém-se controlado, num nível de 0,22%, com um rácio de morosidade de 2,3% e uma taxa de cobertura de 82,6%.
No final da primeira metade do ano, o volume de negócios (crédito e recursos) gerido pelo banca situava-se acima dos 134 mil milhões de euros.
O rácio de transformação de depósitos em crédito ronda os 83%.
O volume de crédito à clientes em situação normal (vivo) ascendeu a 51.917 milhões de euros, o que representa um crescimento homólogo de 16,0%, “claramente focado no setor privado, com as empresas a representarem 45% do total e os particulares 39%, sendo estes os principais destinatários”.
O banco que tem como presidente Juan Carlos Escotet e como CEO Francisco Botas, revelou que formalizaram 9 mil milhões de euros de novo crédito no semestre.
Do outro lado do balanço, a captação de recursos de clientes totalizou 81.390 milhões de euros, o que traduz um aumento de 16,1% face ao ano anterior.
O grupo galego destaca o crescimento homólogo dos depósitos a prazo e dos produtos fora do balanço, no valor de 6.526 milhões de euros. Na estrutura de recursos de clientes do banco, 78% do total corresponde a saldos à ordem e a prazo, enquanto os 22% restantes dizem respeito a recursos fora do balanço.
Os depósitos no retalho continuaram a evoluir positivamente, com um crescimento de 15,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com 93% dos depósitos pertencentes a famílias e empresas e 70% com um saldo inferior a 100.000 euros, “a carteira do Abanca apresenta um perfil nitidamente retalhista”, considera o banco.
Os recursos fora do balanço atingiram os 17.906 milhões de euros, o que representa um aumento homólogo de 18,3%.
No negócio segurador, os prémios dos seguros gerais e de vida risco cresceram 15,1% face ao período homólogo, totalizando 612 milhões de euros. Por segmento, destacam-se os prémios dos seguros de vida em caso de falecimento, que aumentaram 47%, os de vida risco com 19%, os de habitação com 15% e os de saúde com 12%. “Esta intensidade de crescimento nos recursos fora do balanço e nos seguros permite à entidade melhorar a qualidade das suas receitas”, acrescenta o banco.
No que toca à solidez, o Abanca realça que se mantém como um dos grupos bancários mais sólidos da Península Ibérica, “facto particularmente relevante no atual contexto de incerteza geopolítica”. O banco reportou um rácio de capital CET1 de 13,2% e uma almofada de capital de 1.962 milhões de euros face aos requisitos.
A elevada liquidez mede-se “pelo rácio LTD no retalho de 83,0% e 23.456 milhões de euros em ativos líquidos) e elevados níveis de rentabilidade (ROTE de 14,6%, significativamente acima do custo de capital)”, reforça a instituição.
“A estes fatores internos do Abanca junta-se a resiliência dos seus principais mercados perante a instabilidade geopolítica e uma reduzida exposição aos setores mais afetados por eventuais novas políticas aduaneiras dos Estados Unidos” refere o banco.
O Abanca está a implementar com determinação a inteligência artificial (IA) nos seus processos, com o duplo objetivo de reforçar a satisfação do cliente e aumentar a capacidade operacional das suas equipas, num quadro de implementação coordenada que assegure a utilização correta e mitigue riscos. No setor financeiro, o Abanca é uma das entidades com maior diversidade de casos de uso de IA já implementados.
(atualizada)
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