Abanca vai ter carteira de investimentos apenas focada em responsabilidade social a partir de 2020

“Estamos a montar um índice global, tem uma dispersão geográfica considerável, mas que tem esta responsabilidade social”, adiantou Hugo Freitas, responsável pela área de produtos de investimento do Abanca.

O Abanca está a trabalhar na construção de um portefólio de investimento focado no tema da responsabilidade social e espera tê-lo disponível para os seus clientes a partir de 2020.

“Em 2020 esperamos ter uma carteira de investimentos exclusivamente [focada] no tema da responsabilidade social”, revelou Hugo Freitas, responsável pela área de produtos de investimento do Abanca. “Estamos a montar um índice global, tem uma dispersão geográfica considerável, mas que tem esta responsabilidade social”, adiantou.

Para tal, será necessário “definir critérios muito claros sobre o que é ou não exigível para essa carteira”. “E, a partir do momento em que esses critérios estão definidos, nós fazemos aquilo que já estávamos a fazer: temos aqui este universo do que é socialmente responsável e [decidiremos se] queremos mais exposição a energéticas, ou à área da saúde, e fazemos a alocação” do capital, explicou Hugo Freitas.

A filial portuguesa do Abanca está a seguir uma tendência mundial que, nos últimos anos, tem ganho maior relevância na sociedade: a responsabilidade social. “Nos últimos anos têm vindo a ser criados índices sobre a responsabilidade social, com métricas. E há diretrizes europeias que obrigam as empresas grandes que, além de apresentarem o seu orçamento financeiro, apresentam um orçamento não financeiro que contém métricas não habituais, como a disparidade salarial, a disparidade entre géneros, a questão de premiar o desempenho das pessoas ou a questão da satisfação no local de trabalho”, disse o responsável pela área de produtos de investimento do Abanca.

“O caminho está a ir por aí, no sentido de as empresas se preocuparem mais com esta componente de enquadramento de responsabilidade social”, vincou Hugo Freitas.

Incentivos à responsabilidade social no leque de opções do BCE?

Hugo Freitas falava na primeira edição do Abanca Talks, um encontro que o banco promoveu a comunicação social esta terça-feira onde foram abordadas as perspetivas de alteração da política monetária do Banco Central Europeu (BCE) no mandato de Christine Lagarde, que recentemente iniciou funções enquanto presidente desta instituição.

O responsável pela área de produtos de investimento do Abanca acredita que Christine Lagarde “vai romper com a política tradicionalista de Mario Draghi”, seu antecessor porque considera que o italiano “esgotou as políticas monetárias convencionais e não convencionais”.

Em 2014, o BCE tinha cerca de 18 mil milhões de euros em ativos no balanço e, quatro anos mais tarde, passou para 251,7 mil milhões de euros, lembrou Hugo Freitas. “É um aumento de 1.400%”, disse. “Isto fez com que as yields da dívida soberana europeia caíssem para terreno negativo e é aqui que nos encontramos hoje”, explicou o responsável pela área de produtos de investimento do Abanca.

“Christine Lagarde vai receber esta herança. Eu diria que se quiser ser eficaz, terá de inventar mais medidas”, referiu Hugo Freitas. Christine Lagarde “já teve alguns discursos a indicar o que ia fazer e falou de temas sobre os quais não me recordo de Mario Draghi ter falado”, vincou o responsável pela área de produtos de investimento do Abanca.

Hugo Freitas lembrou que a presidente do BCE abordou questões como as preocupações com os desafios climáticos, o impacto da revolução tecnológica, nomeadamente na área financeira , o problema da desigualdade, a fragmentação da ordem internacional e transferir parte da pressão dos estímulos económicos para a política orçamental dos países para não sobrecarregar a política monetária – sendo este último entendido como um recado à Alemanha.

“Eu acho que esta abordagem de Christine Lagarde está a ser bastante inteligente, uma abordagem de abertura do espectro dos instrumentos que podem ser utilizados”, frisou o responsável pela área de produtos de investimento do Abanca.

O Abanca acredita que haverá um “alinhamento entre a estratégia que as empresas têm e os instrumentos financeiros que estarão disponíveis de maneira a que os investidores queiram investir naqueles produtos porque são socialmente responsáveis”, explicou Hugo Freitas, reforçando ainda que o BCE poderá encabeçar este paradigma.

“Nos próximos anos vamos ver a regulação a preocupar-se bastante com a gestão da sustentabilidade, com a questão do ‘ESG’ – sigla inglesa que significa ‘ambiente’, ‘social’ e ‘governança’. “são questões que vão surgir, nem que seja ao nível regulatório”, disse Hugo Freitas.

“A evolução da regulação – grande parte começa a ser implementada em meados de 2020 – pode alterar o comportamento das empresas, alterar o investimento das empresas. A partir do regulador, passando para os bancos e para os investidores, se houver este alinhamento, as empresas vão ser empurradas a serem socialmente responsáveis. E poderá ser, talvez, um novo instrumento da política monetária”, referiu o responsável pela área de produtos de investimento do Abanca.

Questionado sobre se o BCE está a caminhar para o capitalismo socialmente responsável, Hugo Freitas admitiu que “é um pouco isso”.

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