‘Abasourdi’

Estamos numa situação muito perigosa para a democracia portuguesa. Ficou bem claro que tanto a liderança do PSD como do CDS não têm estratégia.

É uma palavra francesa cujo significado e sonoridade exprimem bem o que eu e com toda a certeza muitos outros cidadãos sentimos quando se soube do acordo do PSD e CDS com o PCP e BE na questão dos professores. Abasourdi significa estupefacto ou chocado.

Foi também com estas palavras que se exprimiu Pedro Santana Lopes sobre tão desastrado convénio de incapazes e irresponsáveis de vários matizes. Segundo noticiou o Jornal Económico, Santana Lopes afirmou em entrevista na SIC que “nem o mais doido e mais destrambelhado dos militantes do partido onde eu militei durante décadas, se sentaria sem autorização numa sala com o Bloco e o PCP a fazer acordos sobre uma matéria, fosse ela qual fosse”.

Estamos numa situação muito perigosa para a democracia portuguesa. Ficou bem claro que tanto a liderança do PSD como do CDS não têm estratégia, e naquela ocasião vergaram a coluna vertebral. A meu ver, foi um convénio fatal. Desde que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas se afastaram, os dois partidos convulsionam num pântano cinzento. O CDS lá vai tentando, apresentando propostas por vezes interessantes e coerentes, mas falta-lhe vigor comunicacional.

Quanto ao PSD, não se percebe nada. A expectativa de revelação de uma ideia, clara, simples, forte e autónoma, consubstanciada em propostas concretas para Portugal e os portugueses, alternativas às da coligação governamental, é quase sempre defraudada, desde logo porque não há unidade interna, consequência da falta de liderança e de estratégia.

Os principais responsáveis por esta situação são os membros do PSD que elegeram Rui Rio para líder. Era fácil prever que o antigo autarca não tinha o arcaboiço político necessário para enfrentar a difícil conjuntura política. Mas pelo menos que se aguentasse com firmeza no embate com um forte adversário político, embora penalizado por nem sequer estar no Parlamento. Mas que a debilidade fosse tão profunda era mais difícil de conjeturar.

É penoso ouvi-lo falar, mas mais penoso ainda quando pensa que invocando o nome de Francisco Sá Carneiro consegue iluminar a sua imagem difusa e abrilhantar o seu titubeante politiquês.

Confirma-se, de novo, que Santana Lopes teve razão, fez bem em sair do PSD e fundar um novo partido. Se não o tivesse feito não haveria hoje alternativa aos eleitores de centro-direita.

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