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Acionista canadiano avança para venda de fatia de 5% da EDP

Canadianos querem desfazer-se da posição de mais de 5% na elétrica. Novo plano estratégico da EDP prevê corte no investimento nos próximos anos.
EDP EDP Renováveis
Tiago Petinga/Lusa
10 Novembro 2025, 17h58

O fundo de pensões do Canadá, um dos maiores do mundo, quer vender a sua posição acionista na EDP, de mais de 5%, revela hoje a “Bloomberg. Um comunicado na CMVM confirmou, entretanto, a decisão de vender.

O Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) quer vender 225 milhões de ações a um preço de 3,729 euros cada, abaixo da cotação de fecho desta segunda-feira. Isto representaria um encaixe de 893 milhões de euros, segundo as contas da “Bloomberg”.

O fundo conta com uma participação de 5,44% na elétrica, com 227,5 milhões de ações.

O fundo era até agora o quarto maior acionista da EDP. A China Three Gorges mantém-se como maior acionista com mais de 21%, seguida dos espanhóis da Oppidum com quase 7% e dos norte-americanos da BlackRock com mais de 6%.

A EDP fechou hoje a sessão a ganhar mais de 1,7% para 3,960 euros, com a EDP Renováveis a subir 2,56% para 12,02 euros. As cotadas recuperaram parcialmente das perdas de 3,5 mil milhões que sofreram na quinta e na sexta-feira depois da apresentação do plano estratégico.

Contactado pelo JE, o CPPIB não quis fazer comentários. Questionada pelo JE, fonte oficial da EDP não quis fazer comentários.

O grupo EDP apresentou o seu plano estratégico até 2028 na semana passada, prevendo investir 12 mil milhões de euros no espaço de três anos, ao ritmo de 4 mil milhões por ano.

Face ao plano estratégico apresentado em 2023, o investimento da EDP vai recuar dos então 25 mil milhões de euros previstos (23-26) para 12 mil milhões (26-28): dos 8,3 mil milhões de euros anuais previstos em 2023 para 4 milhões anuais.

Só a EDP Renováveis previa 20 mil milhões de euros de investimento no plano de 2023, face aos 4,5 mil milhões atuais.

O plano de 2023 tinha sofrido dois cortes em 2024 e no início deste ano: primeiro, para 17 mil milhões, depois para 14 mil milhões.

A EDP não vai receber nenhum dinheiro desta transação, segundo o comunicado feito hoje ao mercado.

Em reação, o Goldman Sachs cortou a recomendação da EDP na sexta-feira para ‘vender’.

Já a XTB apontou que o nível de endividamento da EDPR “continua a ser muito grande (quase do tamanho do capital próprio), no qual deve continuar a ser monitorizado de perto pelos investidores”.

A EDPR prevê acrescentar 5 gigas de capacidade até 2028, com 2 gigas nos EUA já este ano.

Foi um ano de 2025 marcado por “nuvens negras”, com muitas incertezas sobre a operação nos Estados Unidos da América. O primeiro ano de Donald Trump na Casa Branca foi uma montanha-russa de emoções para as companhias no mercado energético dos EUA, incluindo a EDP Renováveis (EDPR).

Mas passados 10 meses, existe agora “muito mais clareza sobre as renováveis e os EUA”, garante o presidente-executivo da EDP.

Prova superada. A aposta mantém-se em terras do Tio Sam, garante a companhia, que espera colher frutos da febre de Inteligência Artificial (IA) que será alimentada por centros de dados sedentos de energia.

“Temos a Google e a Amazon a ligarem-nos”, exemplificou Miguel Stilwell d’Andrade na quinta-feira em Londres durante a apresentação do plano estratégico da EDP para 2026-2028.

A capacidade de centros de dados deverá subir duas vezes nos EUA e na Europa até 2030, provocando um disparo pela procura de eletricidade.

A companhia já tem 3,3 gigas de contratos assinados com as big tech em todo o mundo, incluindo Amazon, Microfost, Google e Meta.

“Não é segredo que houve bastante turbulência na primeira metade do ano. Os créditos fiscais chegaram a estar em causa, mas mantiveram-se e com visibilidade até 2030, dando bastante estabilidade para os próximos cinco anos. A principal incerteza desapareceu”, afirmou.

O peso dos EUA no investimento total da EDPR até vai subir em 10 pontos para 60%: 4,5 mil milhões de euros. O plano total de investimentos da EDP para 2026-2028 vai ser de 12 mil milhões. O valor representa um corte face ao investimento de 25 mil milhões de euros previstos no plano divulgado em 2023, que foi sofrendo sucessivos cortes até atingir 14 mil milhões.

“Estamos a ser realistas, não estamos a ser conservadores e vamos construir a partir daí. Se houver procura, avançamos”, garantiu o gestor.

A mensagem para os investidores e partes interessadas foi simples: “Foco nas renováveis nos EUAe nas redes de eletricidade na Ibéria”, disse o gestor durante a apresentação do plano estratégico em Londres.

A meta para os próximos anos é construir 5 gigawatts de potência. Rotação de ativos? A previsão é encaixar 5 mil milhões.

“Não estamos pressionados por megawatts, preferimos retornos a construir megawatts. Cinco gigas é um número saudável”, disse Miguel Stilwell d’Andrade.

O gestor garante que não vai estar a comprometer-se com projetos adicionais perante o risco de falharem. “Se os projetos não estiverem lá porque o mercado vai cair…”, a EDP fica mais protegida, destacou.

A casa-mãe EDP vai investir 12 mil milhões brutos entre 2026 e 2028, incluindo 7,5 mil milhões de euros na EDP Renováveis, com a aposta em eólica, solar e sistemas de armazenamento com baterias, com 60% destes nos EUA.

Já 3,6 mil milhões de euros destinam-se a redes de eletricidade, com dois terços a terem lugar na Península Ibérica, “continuando a reforçar o portefólio de produção flexível de eletricidade (flexgen) e clientes na Península Ibérica”.

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